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	<title>RememorArte</title>
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	<description>Histórias a serem lembradas</description>
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		<title>Exposição do Centenário da Independência (II), por Dunlop</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 15:26:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atividade Econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[Baía da Guanabara]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Monumento a Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Monumento a Cuauhtemoc]]></category>
		<category><![CDATA[Theatro Municipal]]></category>

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		<description><![CDATA[Inaugurada a 7 de setembro de 1922 a Exposição comemorativa do 1.º Centenário da Independência do Brasil, continuaram os festejos por muito tempo. Diariamente chegavam ao Rio de Janeiro milhares de forasteiros, procedentes do interior e do estrangeiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8523" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AExposi%C3%A7%C3%A3o_do_Centen%C3%A1rio_de_1922-_Selo_de_100_r%C3%A9is.jpg" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/exposicao_nacional_1922_selo_100_reis_miniatura.jpg" alt="Selo Comemorativo de 100 réis" title="Selo Comemorativo de 100 réis" width="288" height="213" class="size-full wp-image-8523" /></a><p class="wp-caption-text">Selo Comemorativo de 100 réis</p></div>
<p>INAUGURADA A 7 de setembro de 1922 a Exposição comemorativa do 1.&ordm; Centenário da Independência do Brasil, continuaram os festejos por muito tempo.</p>
<p>Diariamente chegavam ao Rio de Janeiro milhares de forasteiros, procedentes do interior e do estrangeiro. Os embaixadores em missão especial das nações amigas já aqui estavam desde agosto. Na Baía de Guanabara fundearam os couraçados &ldquo;Maryland&rdquo; e &ldquo;Nevada&rdquo;, dos Estados Unidos; &ldquo;Hood&rdquo; e &ldquo;Repulse&rdquo;, da Inglaterra; &ldquo;Iwate&rdquo;, &ldquo;Isuno&rdquo; e &ldquo;Azuma&rdquo;, do Japão; &ldquo;Moreno&rdquo;, da Argentina; os cruzadores &ldquo;Uruguai&rdquo;, da República do mesmo nome, e &ldquo;República&rdquo; e &ldquo;Carvalho Araújo&rdquo;, de Portugal. Do México vieram alunos do Colégio Militar.<span id="more-8520"></span></p>
<p>Na manhã do dia 7, houve uma parada militar de 20.000 homens, em que desfilaram contingentes estrangeiros em fraternal solidariedade com as forças nacionais. À noite, o Presidente da República e todos os membros das representações oficiais assistiram a um suntuoso espetáculo no Teatro Municipal, sendo cantada a ópera &ldquo;Il Guarany&rdquo;, do maestro Carlos Gomes.</p>
<p>Prosseguindo a comemoração festiva, realizaram-se, consecutivamente, as seguintes solenidades e reuniões: missa campal no Campo do Russel; abertura do Congresso Internacional de História da América, promovido pelo Instituto Histórico; lançamento da pedra fundamental da Estátua da Amizade, obsequiada pelos Estados Unidos; sessão solene do Congresso Nacional; grande banquete oferecido pelo Dr. Epitácio Pessoa aos chefes das missões especiais; parada infantil em que desfilaram pela Avenida Rio Branco 4.600 alunos escolares; visita presidencial aos navios de guerra estrangeiros; inauguração do Monumento de Cuauhtemoc, último imperador dos Astecas, oferecido pelo México, e muitas outras recepções, banquetes, bailes, &ldquo;garden-parties&rdquo;, excursões, corridas de cavalos, festa veneziana na Enseada de Botafogo, fogos de artifício, etc.</p>
<div id="attachment_8525" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AExposi%C3%A7%C3%A3o_do_Centen%C3%A1rio_de_1922-_Selo_de_300_r%C3%A9is.jpg" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/exposicao_nacional_1922_selo_300_reis_miniatura.jpg" alt="Selo Comemorativo de 300 réis." title="Selo Comemorativo de 300 réis." width="288" height="215" class="size-full wp-image-8525" /></a><p class="wp-caption-text">Selo Comemorativo de 300 réis.</p></div>
<p>Verdadeiro acontecimento foi também a visita do Presidente da República de Portugal, Dr. Antônio José de Almeida. Não lhe foi possível estar aqui no dia 7, mas chegou no domingo 17, pelo transatlântico &ldquo;Porto&rdquo;. Em delicado radiograma, expediu, ainda de bordo, a seguinte mensagem: &ldquo;Ao entrar na Baía de Guanabara, a melhor baía do mundo, tenho a honra de saudar o Brasil, uma das mais possantes e formosas pátrias que tem existido sobre a Terra&rdquo;.</p>
<p>O Dr. Epitácio Pessoa foi receber o ilustre visitante, que desembarcou sob as aclamações do povo.</p>
<p>Os dez dias de estada do Presidente de Portugal no Rio de Janeiro foram uma sucessão de demonstrações afetuosas por parte dos brasileiros e da colônia portuguesa. Houve banquetes no Palácio do Governo e no Clube dos Diários, visitas oficiais ao Congresso, Supremo Tribunal, Gabinete Português de Leitura, Academia Nacional de Medicina e à Exposição Nacional, onde o Dr. Almeida discursou para mais de 20.000 pessoas. Todos queriam a presença do eminente Chefe de Estado.</p>
<p>Assim continuaram os festejos do grande certame, sempre repleto de visitantes e admiradores, até ao seu encerramento oficial a 7 de setembro de 1923.</p>
<p><font class="removido">A fotografia, tirada no mesmo dia do ano anterior, mostra a comissão de engenheiros e arquitetos que projetou e organizou a Exposição do Centenário: sentados, da esquerda para a direita, Drs. Nestor de Figueiredo, professor Adolfo Morales de Los Rios (pai) e Francisco Cuchet; de pé, na mesma ordem, Drs. Archimedes Memória, professor Adolfo Morales de Los Rios (filho), Celestino Severo de San Juan e Edgard Vianna.</font></p>
<p><font class="removido">Vê-se, ao fundo, o Pavilhão de Caça e Pesca.</font></p>
<p><font class="adicionado">As imagens mostram selos comemorativos da Exposição do Centenário da Independência.</font></p>
<p><b>Fonte:</b>
<div class="camada1">
<p class="bibliografia"><span style='font-size: smaller; font-style: italic;'>[Dunlop1963]</span>    C. J. Dunlop, <em>Rio Antigo</em>, 3&#170; Tiragem ed., Antigo, E. R. and Ltda., G. L., Eds., , 1963, vol. I, II e III.</p>
<div class="livro"><code>@book{Dunlop1963, <br />
 &nbsp;&nbsp;author = {Charles Julius Dunlop}, <br />
 &nbsp; edition = {3ª Tiragem}, <br />
 &nbsp; editor = {Editora Rio Antigo and Gráfica Laemmert Ltda.}, <br />
 &nbsp; interhash = {05da77d3904263c5850d3dc097c6b764}, <br />
 &nbsp; intrahash = {59203753666d8788de0ab78157000509}, <br />
 &nbsp; title = {Rio Antigo}, <br />
 &nbsp; volume = {I, II e III}, <br />
 &nbsp; year = 1963, keywords = {charles-julius-dunlop história rio-de-janeiro}, <br />
 &nbsp; added-at = {2010-08-19T12:36:31.000+0200}, <br />
 &nbsp; description = {O falecimento de um de nossos historiadores modernos, ao lado de Vieira Fazenda, Noronha Santos e outros, cujas obras são consultadas por todos que escrevem sobre o passado do Rio de Janeiro, não podia passar sem ser noticiado. Charles Julius Dunlop faleceu em Petrópolis, RJ, para onde se retirara ao se aposentar após 48 anos de atividades na Light. Filho de pai inglês e mãe alemã, nasceu em Niterói a 26 de dezembro de 1908. C. J. Dunlop ingressou na Light como advogado e ali começou a reunir material sobre a legislação social-trabalhista. Suas pesquisas resultaram no livro "Legislação brasileira do trabalho", e que teve três reedições (1934,1939 e 1943). Com o material encontrado nesses trabalhos, descortinou uma fonte inesgotável de dados sobre a história carioca e publicou, com reproduções de fotografias da época, os livros "Apontamentos para a história da iluminação da Cidade do Rio de Janeiro" (1949), "Apontamentos para a história da Estrada de Ferro do Corcovado" (1951), e "Apontamentos para a história dos bondes no Rio de Janeiro Vol. I e II: (1952/1953). Os dois últimos se transformaram na magnífica obra "Apontamentos para a história dos bondes no Rio de Janeiro", que merece uma reedição. Desde 1952, C. J. Dunlop vinha publicando, na revista "Singra", tablóide inserto no jornal "Correio da Manhã", crônicas semanais com fotografias antigas, dizendo que "hoje quase ninguém lê, principalmente assuntos históricos, e para atrair o leitor, coloquei a fotografia como Isca". Os artigos saíram ininterruptamente entre 1952 e 1955. Alguns deles foram mais tarde republicados nas revistas "A Turbina" e na "Revista G.E." , assim como novos artigos. Outras crônicas saíram no jornal "Tribuna da Imprensa" e na revista "Sul América". Muitos desses artigos deram origem a três livros publicados com o título de "Rio antigo", editados entre 1953 e 1960. Os artigos eram impressos sem a preocupação de levantar os fatos dentro de sua importância cronológica ou histórica, mas apenas com o intuito de falar da vida da cidade, seguindo uma ilustração, conforme informações do próprio autor. Em 1964, Dunlop estabeleceu sua própria editora, através da qual publicou o "Álbum do Rio antigo" um ano depois, utilizando fotos do Rio de Janeiro bem antigas. Em 1972, publicou "Os meios de transporte no Rio antigo", que teve uma segunda edição em 1973. Naquele ano, lançou, também, o livro "Crônicas, fatos, gentes e coisas da nossa História". Finalmente, em outubro de 1985, apareceu a sua última obra, "Petrópolis antigamente". Os livros e artigos de Charles Dunlop tiveram como marca a simplicidade, a concisão, a segurança e a tranqüilidade de quem sabe sobre o que está falando. Dunlop sabia tirar de montanhas de documentos oficiais as informações que constituiriam o essencial de sua narrativa, rica em comentários interessantes. Ele morreu dia 8. Dunlop também tinha humor. Sabia entremear fatos pitorescos aos dados sobre coches e carruagens, por exemplo. Ao descrever o "cab" inglês, veículo de duas rodas empregado no início do século XIX, no qual o cocheiro sentava-se na traseira, não deixou de dar a definição galhofeira do carioca de então. "É o carro em que o superior que vai no interior só vê a parte anterior do inferior que lhe vai superior". Em 1837 ou 1838, surgiam no Rio de Janeiro os primeiros ônibus, puxados por quatro muares. Eram compridos, pintados de vermelho ou amarelo, com dois bancos longitudinais, nos quais podiam se sentar entre 20 e 24 passageiros. Circulavam entre Botafogo, Laranjeiras, São Cristóvão, Tijuca, Rio Comprido e Engenho Velho, contribuindo de maneira decisiva para o crescimento e desenvolvimento da cidade. Segundo Machado de Assis, para um passageiro descer, o cobrador puxava uma cordinha que ia amarrada ao braço do cocheiro. Dunlop também nos explica a origem da palavra bonde, originada no inglês bond, o cupom utilizado para pagar a passagem. Contou como foram as primeiras tentativas para a instalação de um metrô no Rio, em 1911, os primórdios da navegação na Baía de Guanabara, os projetos de trens elevados, e os de ligação entre Rio e Niterói por túneis submarinos, subterrâneos e por meio de pontes, Dunlop também escreveu a história do plano inclinado de Santa Tereza, das estradas de ferro, do bondinho do Pão-de-Açúcar e da estrada de ferro do Corcovado. No capítulo referente aos primeiros automóveis e auto-ônibus, é delicioso ler as experiências dos primeiros "chauffeurs" que o Rio de Janeiro teve. José do Patrocínio, em 1895, assustou muares e transeuntes com sua barulhenta engenhoca movida a vapor, de origem francesa, o primeiro automóvel a chegar à cidade. Tinha fornalha, caldeira e chaminé, como uma verdadeira locomotiva. Imaginem sua desolação quando, certo dia, ensinando Olavo Bilac a dirigir, viu o poeta espatifar o veículo contra o tronco de uma árvore. Já Bilac passou a gabar-se de ser o precursor das trombadas no Brasil. Obituário por Gilson Koatz e Paulo Berger publicado no jornal O Globo de 27/7/1987}, <br />
 &nbsp; biburl = {http://www.bibsonomy.org/bibtex/259203753666d8788de0ab78157000509/halleypo}<br />
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</div>
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		<item>
		<title>Exposição do Centenário da Independência (I), por Dunlop</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 12:24:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atividade Econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[Arsenal de Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Avenida das Nações]]></category>
		<category><![CDATA[Avenida Presidente Wilson]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Ilha de Villegagnon]]></category>
		<category><![CDATA[Morro do Castelo]]></category>
		<category><![CDATA[Ponta do Calabouço]]></category>
		<category><![CDATA[Praia de Santa Luzia]]></category>

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		<description><![CDATA[Para comemorar o primeiro centenário da Independência do Brasil, cogitou-se, a princípio, de uma Exposição Nacional; depois, de uma Exposição Continental Americana; por fim, prevaleceu a ideia de que a feira fosse Internacional, dando, assim, possibilidade a que nações de todo o mundo pudessem abrilhantar com a sua presença a data máxima do nosso país.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8431" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/69491303" target="_blank"><img class="size-full wp-image-8431" title="Museu da Imagem e do Som &mdash; Pavilhão da Administração e do Distrito Federal" src="wp-content/uploads/2012/04/mis_miniatura.jpg" alt="Museu da Imagem e do Som &mdash; Pavilhão da Administração e do Distrito Federal" width="288" height="192" /></a><p class="wp-caption-text">Museu da Imagem e do Som<br />Pavilhão da Administração e do Distrito Federal</p></div>
<p>PARA COMEMORAR o primeiro centenário da Independência do Brasil, cogitou-se, a princípio, de uma Exposição Nacional; depois, de uma Exposição Continental Americana; por fim, prevaleceu a ideia de que a feira fosse Internacional, dando, assim, possibilidade a que nações de todo o mundo pudessem abrilhantar com a sua presença a data máxima do nosso país.</p>
<p>Confiada ao Prefeito do Distrito Federal, Dr. Carlos César de Oliveira Sampaio, a realização do importante empreendimento, tratou ele, em primeiro lugar, de escolher um local apropriado e digno de tão solene comemoração. Como já estivesse em execução, desde novembro de 1920, o plano de arrasamento do Morro do Castelo, não hesitou em propor que o grandioso certame se realizasse no aterro a ser formado em frente ao antigo Bairro da Misericórdia.<span id="more-8429"></span></p>
<p>Escolhido, assim, o local, foi iniciada imediatamente a delineação dos trabalhos e organizado o projeto geral da Exposição, por uma comissão de ilustres engenheiros e arquitetos patrícios.</p>
<p>&ldquo;A minha intervenção se fez sentir intransigentemente &mdash; declarou Carlos Sampaio &mdash; na remodelação do velho Arsenal de Guerra, situado na Ponta do Calabouço, a fim de conservar-lhe as características de obra dos tempos coloniais, que, por sua grandeza e imponência, deveria, quase por si, permitir a realização da Exposição&rdquo;.</p>
<p>A arquitetura dos palácios e pavilhões, a arborização, o calçamento, a distribuição de água e esgotos e todos os demais serviços inerentes a uma grande feira de amostras, tais como a instalação de restaurantes, parque de diversões, postos de assistência e bombeiros, etc., que deveriam satisfazer pela beleza, segurança e conforto, tudo foi objeto de minucioso e acurado estudo. E, para ocorrer às despesas, lançou o Governo os &ldquo;Bônus da Independência&rdquo;, a 20$000, com direito a 10 entradas no recinto da Exposição, além de prêmios mediante sorteio.</p>
<p>Afluíram trabalhadores de todos os recantos do país e, em breve, turmas de milhares de operários revezavam-se dia e noite na construção da obra majestosa.</p>
<p>Os trabalhos de arrasamento do Morro do Castelo executavam-se por dois processos: por meio de máquinas escavadoras e por desmonte hidráulico, com o auxílio de enormes bombas de alta pressão. Enquanto isso, o aterro das praias da Lapa e de Santa Luzia se alastrava; a ponta de Leste da cidade progredia rapidamente, avançando 500 metros na direção da Ilha de Villegagnon.</p>
<p>Em poucos meses já estava aberta e calçada a Avenida das Nações (hoje Presidente Wilson) e quase prontos muitos edifícios de belíssima arquitetura: o Pavilhão dos Estados, o das Grandes Indústrias, das Pequenas Indústrias, da Fiação, da Estatística e o de Caça e Pesca, o Palácio das Festas, os pavilhões da Inglaterra, Estados Unidos, França, Portugal, Itália, México, Argentina, Japão, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca, Tchecoslováquia e outros.</p>
<p>Finalmente às 4 horas da tarde do dia 7 de setembro de 1922, foi oficialmente inaugurada a Exposição. A solenidade compareceu o Presidente da República, Dr. Epitácio da Silva Pessoa, embaixadores e enviados das nações amigas, ministros de Estado, senadores, deputados, magistrados, militares, professores, representantes do comércio e da indústria, além de compacta massa de povo.</p>
<p>&ldquo;Nenhuma linguagem falará melhor &mdash; acentuou o Ministro do Interior, Dr. Joaquim Ferreira Chaves, no seu discurso de abertura &mdash; do que o certame que hoje inauguramos. Ele não se realiza como pretexto para festins, mas como demonstração de esforços extraordinários de inteligência consumidos num século de atividade, em quase todos os ramos de trabalho. Haverá aí mostras desse passado. Umas servirão para acentuar como os povos devem guardar certos patrimônios legados por seus maiores; outras servirão para abrir os olhos aos que se aferram à rotina, e hão de constituir, pela comparação com os produtos aperfeiçoados aqui expostos, benéfico estímulo para melhorar e progredir&rdquo;.</p>
<p><b>Fonte:</b>
<div class="camada1">
<p class="bibliografia"><span style='font-size: smaller; font-style: italic;'>[Dunlop1963]</span>    C. J. Dunlop, <em>Rio Antigo</em>, 3&#170; Tiragem ed., Antigo, E. R. and Ltda., G. L., Eds., , 1963, vol. I, II e III.</p>
<div class="livro"><code>@book{Dunlop1963, <br />
 &nbsp;&nbsp;author = {Charles Julius Dunlop}, <br />
 &nbsp; edition = {3ª Tiragem}, <br />
 &nbsp; editor = {Editora Rio Antigo and Gráfica Laemmert Ltda.}, <br />
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 &nbsp; intrahash = {59203753666d8788de0ab78157000509}, <br />
 &nbsp; title = {Rio Antigo}, <br />
 &nbsp; volume = {I, II e III}, <br />
 &nbsp; year = 1963, keywords = {charles-julius-dunlop história rio-de-janeiro}, <br />
 &nbsp; added-at = {2010-08-19T12:36:31.000+0200}, <br />
 &nbsp; description = {O falecimento de um de nossos historiadores modernos, ao lado de Vieira Fazenda, Noronha Santos e outros, cujas obras são consultadas por todos que escrevem sobre o passado do Rio de Janeiro, não podia passar sem ser noticiado. Charles Julius Dunlop faleceu em Petrópolis, RJ, para onde se retirara ao se aposentar após 48 anos de atividades na Light. Filho de pai inglês e mãe alemã, nasceu em Niterói a 26 de dezembro de 1908. C. J. Dunlop ingressou na Light como advogado e ali começou a reunir material sobre a legislação social-trabalhista. Suas pesquisas resultaram no livro "Legislação brasileira do trabalho", e que teve três reedições (1934,1939 e 1943). Com o material encontrado nesses trabalhos, descortinou uma fonte inesgotável de dados sobre a história carioca e publicou, com reproduções de fotografias da época, os livros "Apontamentos para a história da iluminação da Cidade do Rio de Janeiro" (1949), "Apontamentos para a história da Estrada de Ferro do Corcovado" (1951), e "Apontamentos para a história dos bondes no Rio de Janeiro Vol. I e II: (1952/1953). Os dois últimos se transformaram na magnífica obra "Apontamentos para a história dos bondes no Rio de Janeiro", que merece uma reedição. Desde 1952, C. J. Dunlop vinha publicando, na revista "Singra", tablóide inserto no jornal "Correio da Manhã", crônicas semanais com fotografias antigas, dizendo que "hoje quase ninguém lê, principalmente assuntos históricos, e para atrair o leitor, coloquei a fotografia como Isca". Os artigos saíram ininterruptamente entre 1952 e 1955. Alguns deles foram mais tarde republicados nas revistas "A Turbina" e na "Revista G.E." , assim como novos artigos. Outras crônicas saíram no jornal "Tribuna da Imprensa" e na revista "Sul América". Muitos desses artigos deram origem a três livros publicados com o título de "Rio antigo", editados entre 1953 e 1960. Os artigos eram impressos sem a preocupação de levantar os fatos dentro de sua importância cronológica ou histórica, mas apenas com o intuito de falar da vida da cidade, seguindo uma ilustração, conforme informações do próprio autor. Em 1964, Dunlop estabeleceu sua própria editora, através da qual publicou o "Álbum do Rio antigo" um ano depois, utilizando fotos do Rio de Janeiro bem antigas. Em 1972, publicou "Os meios de transporte no Rio antigo", que teve uma segunda edição em 1973. Naquele ano, lançou, também, o livro "Crônicas, fatos, gentes e coisas da nossa História". Finalmente, em outubro de 1985, apareceu a sua última obra, "Petrópolis antigamente". Os livros e artigos de Charles Dunlop tiveram como marca a simplicidade, a concisão, a segurança e a tranqüilidade de quem sabe sobre o que está falando. Dunlop sabia tirar de montanhas de documentos oficiais as informações que constituiriam o essencial de sua narrativa, rica em comentários interessantes. Ele morreu dia 8. Dunlop também tinha humor. Sabia entremear fatos pitorescos aos dados sobre coches e carruagens, por exemplo. Ao descrever o "cab" inglês, veículo de duas rodas empregado no início do século XIX, no qual o cocheiro sentava-se na traseira, não deixou de dar a definição galhofeira do carioca de então. "É o carro em que o superior que vai no interior só vê a parte anterior do inferior que lhe vai superior". Em 1837 ou 1838, surgiam no Rio de Janeiro os primeiros ônibus, puxados por quatro muares. Eram compridos, pintados de vermelho ou amarelo, com dois bancos longitudinais, nos quais podiam se sentar entre 20 e 24 passageiros. Circulavam entre Botafogo, Laranjeiras, São Cristóvão, Tijuca, Rio Comprido e Engenho Velho, contribuindo de maneira decisiva para o crescimento e desenvolvimento da cidade. Segundo Machado de Assis, para um passageiro descer, o cobrador puxava uma cordinha que ia amarrada ao braço do cocheiro. Dunlop também nos explica a origem da palavra bonde, originada no inglês bond, o cupom utilizado para pagar a passagem. Contou como foram as primeiras tentativas para a instalação de um metrô no Rio, em 1911, os primórdios da navegação na Baía de Guanabara, os projetos de trens elevados, e os de ligação entre Rio e Niterói por túneis submarinos, subterrâneos e por meio de pontes, Dunlop também escreveu a história do plano inclinado de Santa Tereza, das estradas de ferro, do bondinho do Pão-de-Açúcar e da estrada de ferro do Corcovado. No capítulo referente aos primeiros automóveis e auto-ônibus, é delicioso ler as experiências dos primeiros "chauffeurs" que o Rio de Janeiro teve. José do Patrocínio, em 1895, assustou muares e transeuntes com sua barulhenta engenhoca movida a vapor, de origem francesa, o primeiro automóvel a chegar à cidade. Tinha fornalha, caldeira e chaminé, como uma verdadeira locomotiva. Imaginem sua desolação quando, certo dia, ensinando Olavo Bilac a dirigir, viu o poeta espatifar o veículo contra o tronco de uma árvore. Já Bilac passou a gabar-se de ser o precursor das trombadas no Brasil. Obituário por Gilson Koatz e Paulo Berger publicado no jornal O Globo de 27/7/1987}, <br />
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		<title>Senhor Bom Jesus do Monte de Paquetá, por Monsenhor Pizarro</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 11:19:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Capela de São Roque]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte]]></category>
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		<description><![CDATA[Na Ilha de Paquetá comprida meia légua Norte Sul, que fora dada, em parte, a Inácio de Bulhões por Sesmaria de 10 de setembro de 1565, e noutra metade, a Fernão Baldez por título semelhante de 11 de novembro de 1566, existia uma Capela dedicada a São Roque pelo Padre Manuel Antunes Espinha, que a fundara com Provisão de 29 de dezembro de 1697 passada em Lisboa por faculdade do Bispo Dom José de Barros de Alarcão, e fora benzida a 24 de novembro do ano seguinte para entrar em uso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8406" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70527415" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/igreja_sao_bom_jesus_monte_9385_miniatura.jpg" alt="Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte em Paquetá" title="Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte em Paquetá" width="288" height="432" class="size-full wp-image-8406" /></a><p class="wp-caption-text">Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte em Paquetá</p></div>
<p>Na Ilha de Paquetá comprida meia légua Norte Sul, que fora dada, em parte, a Inácio de Bulhões por Sesmaria de 10 de setembro de 1565, e noutra metade, a Fernão Baldez por título semelhante de 11 de novembro de 1566, existia uma Capela dedicada a São Roque pelo Padre Manuel Antunes Espinha, que a fundara com Provisão de 29 de dezembro de 1697 passada em Lisboa por faculdade do Bispo Dom José de Barros de Alarcão, e fora benzida a 24 de novembro do ano seguinte para entrar em uso. Como distasse mais de duas, a três léguas de mar, da Paróquia de Magé (então criada no curto Templo da Piedade Velha), a quem pertencia, para facilitar ao povo ali morador o recurso dos Santos Sacramentos, concedeu-lhe o Bispo Dom Frei Antônio de Guadalupe o privilégio de Pia Batismal, e o de conservar a Extrema-Unção, em Visita de 17 de novembro de 1728; e Dom Frei Antônio do Desterro, aumentando-lhe aquelas graças, permitiu-lhe também conservar perpetuamente o SS. Sacramento da Eucaristia em Sacrário, criando-a Capela Curada, de que foi 1&ordm; Capelão o Padre Antônio Ramos de Macedo, provido a 26 de fevereiro de 1761.<span id="more-8420"></span></p>
<p>Erigindo Manuel Cardoso Ramos outra Capela na mesma Ilha sob a dedicação do Senhor Bom Jesus do Monte, e constituindo-lhe patrimônio em 20 braças de terra de testada com 72 de fundo, em que estavam levantadas algumas casas, por Escritura de doação celebrada a 29 de novembro de 1758; se originou daí, que o povo, apetecendo ver criada nesse lugar uma Paróquia em proveito seu, a requeresse estabelecida na Capela de novo fundada, para o que doou o mesmo Ramos outra porção de terras com todas as demais propriedades antecedentemente construídas, por Escritura de 12 de junho de 1769. (201) Conhecida por tanto a justa causa, que abonava a súplica dos moradores da Ilha, deliberou o sobredito Bispo Dom Frei Antônio do Desterro erigir a pretendida Freguesia, como erigiu, por Edital de 21 de Junho de 1769, em virtude das Provisões de 13 de Novembro de 1759, expedida pelo Conselho Ultramarino, e de 14 de Dezembro do mesmo ano, enviada pelo Tribunal da Mesa da Consciência, e Ordens, que permitiram aos Bispos dividir as Igrejas Paroquiais, ainda que fossem Coladas, e criar outras novas, principalmente nos Sertões.</p>
<p>Não repugnou o Vigário da Matriz de Magé ao corte do seu território, por conhecer a necessidade, que havia dessa providência em benefício de tantas almas assaz alongadas da sua vista e cuidado; mas o Vigário da Matriz de São Gonçalo, padre Bento José Caetano Barroso Pereira, pouco satisfeito pela diminuição das Ilhas Jurubaíbas, e de Itaoca, adjudicadas à paroquiação da nova Freguesia, e não podendo claramente contrariá-la, por haver (em Janeiro de 1761) assinado um Termo, em que se obrigava a não renuir qualquer divisão da Igreja, mandada fazer a todo o tempo por Sua Majestade; (202) por interposta pessoa de Manuel Ramos de Azevedo, e de outros semelhantes, que figuraram, sustentou rigorosa resistência àquela parte do território dividido, até conseguir, em 1770, pela Mesa da Coroa o Acórdão, que mandou restituir à Freguesia de São Gonçalo os moradores das Jurubaíbas, por não dever subsistir a nova Paróquia. Em consequência da mesma Resolução ou Acórdão, apareceu em Juízo no ano seguinte uma porção de moradores habitantes na ponta da Ilha, em que está a Capela de São Roque, requerendo a sua restituição à Freguesia de Magé, pelos mesmos fundamentos tomados a favor dos habitantes das Jurubaíbas, e Itaoca, com a condição de se conservar a posse de ter ali Sacrário, Pia batismal, e um Capelão Curado; e assim obtiveram no 2.&ordm; Acórdão, a que se seguiram mais três, pela repugnância do Diocesano em cumprir o 2.&ordm;, e ultimamente o Assento do Desembargo tomado no dia 21 de Julho de 1771. (203)</p>
<p>Agregada de novo a Ilha Paquetá à Freguesia de Magé, por não existir a que aí fora criada, pretendeu o Padre Joaquim José da Silva ser Pároco dela; e conseguindo ser Apresentado, com o falso pretexto de ter sido novamente ereta a Paroquial Igreja da Ilha de Paquetá, demitiu a Vigararia de São Barnabé, que ocupava, cuja demissão se lhe aceitou pelo Real Aviso de 19 de Junho de 1806, segundo consta da Provisão de 15 de Julho do mesmo ano, expedida pela Mesa da Consciência, e Ordens, que mandou pôr o concurso a suposta Paróquia; mas, não se realizando essa graça pela causa referida de não existir a Freguesia de Paquetá, continuou a Ilha na sua qualidade antiga, e o Pároco Apresentado ficou na posse do benefício que ocupava.</p>
<p>Neste estado permanecia o território de Paquetá até requererem de novo os seus moradores à S. M. que se servisse de atender as circunstâncias, mandando criar ali nova Paróquia; e tendo o R. Bispo informado sobre a súplica, por Aviso de 13 de janeiro de 1809, consultou a Mesa da Consciência, e Ordens este negócio em 24 de janeiro de 1810. Por Decreto de 4 de Agosto do mesmo foi Apresentado nesta nova Igreja Paroquial do Senhor Bom Jesus do Monte o Padre Manuel Teixeira de Campos.</p>
<p>Consta a nova Paróquia de abundantes fogos, e a proporção deles é o número de almas. No seu distrito tem a sobredita Capela de São Roque.</p>
<p><b>Notas:</b></p>
<ol start="201">
<li class="nota">Em testamento, com que faleceu o fundador da Capela, foi declarado, que tendo ele comprado a Pedro João 40 braças de terra de testada com os fundos competentes, livres de foro, e qualquer outra pensão, em parte delas fizera algumas moradas de casa, e outra porção se achava ocupada por certos foreiros. Que parte dessas casas, sitas na estrada para São Roque da banda do mar, dava em patrimônio à Capela, e ratificava a doação anterior das outras, e das terras, em que foram fundadas da estrada para o mar, e místicas à mesma Capela. Como pela Escritura de 12 de Junho havia o sobredito Ramos doado outra porção de terras, e casas para o Sertão, quando se verificou a ereção da Freguesia; não persistindo esta, se distratou a Escritura por Despacho do Bispo que a fundara.</li>
<li class="nota">No Livro de Registro das Ordens Reg. fI. 215 conservado na Secretaria deste Bispado do Rio de Janeiro, se vê o Registro de uma Certidão do Secretário da Mesa da Consciência, e Ordens passada em 12 de Outubro de 1754, por que consta Haver Sua Majestade resolvido a 10 de Agosto do mesmo ano, a Consulta do Tribunal da Mesa da Consciência, e Ordens de 8 de Julho antecedente. Sendo Servido Ordenar, que os provimentos das Igrejas, mandadas pôr em Concurso, se fizessem com a cláusula, de se poderem dividir quando se julgasse necessário, sem que os providos o pudessem impedir; e que estes fariam Termo na Secretaria da Ordem de Cristo, antes de se lhes impedir a sua Carta de apresentação, de não se oporem à divisão das ditas Igrejas, que se julgasse necessária. Nesta conformidade foi lavrado o Termo que o sobredito Vigário assinou (no Livro 3 deles), e assim se lhe declarou na Provisão de Confirmação da Igreja. De então, em diante, ficou em prática assinarem os Párocos de novo providos Termo semelhante de estar por toda e qualquer divisão, que para o futuro se faça de suas Igrejas, como se vê dos competentes Livros. A mesma prática se observa no Arcebispado da Bahia, segundo a Informação do Arcebispo Dom Frei José de Santa Escolástica, dada ao Tribunal da Mesa da Consciência, e Ordens, sobre a súplica da Câmara da Vila de Santo Amaro das Grotas, na Comarca de Sergipe de El-Rei, para se dividir a Freguesia de São Gonçalo do Pé do Banco; e semelhantemente fez executar o R. Bispo de Mariana Dom Frei Manuel da Cruz, como ele afirmou na Conta de 26 de Novembro de 1753 sobre o conteúdo na Provisão do Tribunal da M.C.O. a respeito dos Curatos desunidos das Paróquias sem Autoridade Régia, e sem as formalidades de Direito. Não obstante ser patente aquela Ordem Régia, que nem os RR. Bispos, nem os Párocos podiam ignorá-la, pouco a pouco foi caindo em desuso; de cujo defeito tiveram princípio as repugnâncias de alguns párocos quando se fez preciso dividir-lhes os territórios para se criarem neles novas Paróquias em benefício de numerosos povos, que pelas longitudes, asperezas de caminhos, etc. requereram a providência de novas Igrejas Matrizes, onde comodamente pudessem ver, e ser vistos pelo seu Pastor, satisfazer os deveres Católicos, e procurar os Santos Sacramentos em suas necessidades. Nestas circunstâncias para que se não duvidasse mais da cessão dos territórios para se criarem novas Paróquias, suscitou o Tribunal da M.C.O. do Brasil aquela Ordem, mandando declarar nas Cartas de Apresentação de tais Benefícios a cláusula sobredita, em conformidade da Resolução Régia citada.</li>
<li class="nota">Cinco foram os fundamentos daqueles Acórdãos: 1.&ordm;, a incompetência do Diocesano de poder a seu arbítrio erigir Paróquia, sem autoridade do Padroeiro; 2.&ordm;, a falta de consentimento da maior parte dos paroquianos; 3.&ordm;, a falta de justa causa para a desmembração; 4.&ordm;, a falta de consentimento, e vontade dos Párocos; 5.&ordm;, e último, a falta de assenso do Padroeiro. Note-se porém, que o 1.&ordm; fundamento não podia subsistir, à vista das Provisões de 13 de Novembro, e de 14 de Dezembro de 1759, já referidas; que o 2.&ordm; nenhum vigor tinha, por não lembrar a Doutor algum Canonista esse requisito, que apontou Manuel Alvares Ferreira no Tract. Novor. Oper aedificationib. Liv. 1. Discurs. 5. n. 39;. mas no caso de ser necessário ao menos, a maior parte dos paroquianos, bastava constar por um documento a fl. 17 dos Autos, que os descontentes chegavam apenas ao número de 43, e pela informação do Bispo, apensa aos mesmos Autos, constava o todo dos habitantes da Ilha de 1.000 almas de Comunhão; que o 3.&ordm; foi inteiramente insustentável, sendo notória, e bem visível a distância de 3 a 4 léguas de mar, que medem entre a Ilha, e a Matriz de Magé, cujo motivo só era mui suficiente, para se criar a nova Paróquia em benefício dos moradores da Ilha, que sem incômodo notável não podiam recorrer à Matriz, acontecendo por isso, morrerem muitos sem Sacramentos. De onde quer que provenha grande dificuldade ao povo em receber os Santos Sacramentos, se considera haver causa justa para se erigir nova Paróquia, prescindindo da distância do lugar; nesta consideração disse o Concílio de Trento Sessão 21 de Reforma Capítulo 4 = In iis vero, in quibus ob locorum distantiam, sive difficultaten parochiani sine magno incommodo ad percipienda Sacramenta, et divina officia audienda accedere non possunt, novas parochias, etiam invictis Rectoribus&hellip; constituere possint. = Para provar, que os Paroquianos não podem procurar a Matriz sem incômodo grande, não é preciso, que alguma vez tenham finalizado sem Sacramentos &ldquo;sed satis est (como observou Fagnano ao Cap. Ad audientiam 3. De Eccles. aedificand. num. 17) ad validitaten erectionis, ut immineat. periculum, ne sic decedant; neque hujusmodi eventus est expectandus, quin potius praeveniendum, ne contigat, cum satius sit occurrere in tempore, quam post exitum vindicare, seu post vulnerum causam remedium quaerere. Deste sentimento foi também a Sagrada Congregação, referida pelo mesmo Fagnano. Sobre o 4.&ordm; fundamento seria bastante ler o sobrecitado Concílio, para não hesitar a esse respeito; mas, além do que ali se vê disposto, e ordenado, existiam já, ao tempo da questão, as Provisões acima apontadas, e a Resolução de Consulta da Mesa da Consciência, e Ordens, publicada por um Edital, cujos documentos não podiam ser ignorados, nem conservar-se em segredo, servindo eles de socorro ao Bispo, para defensa do seu procedimento, e de subsídio aos Juízes da Mesa da Coroa, para julgarem a causa, secundum jus; porém, desprezado tudo que patrocinava a subsistência da nova Freguesia, foi de necessidade que ela desaparecesse, tendo-a paroquiado dois Sacerdotes; 1.&ordm;, o padre José da Silva Furtado, com Provisão de 26 de Junho de 1769 e o 2.&ordm;, o padre João de Araújo de Macedo, com Provisão de 22 de Novembro de 1770. Sobre o 5.&ordm; e último fundamento, será também bastante dizer, que tendo o Padroeiro (o Soberano Grão Mestre da Ordem de Cristo) feito expedir por seus Tribunais as duas Provisões citadas acima, permitindo o fato das divisões das Igrejas, ainda as atualmente Coladas, por elas mesmo prestou o seu assenso, independente de outras formalidade.</li>
</ol>
<p><b>Fonte:</b>
<div class="camada1">
<p class="bibliografia"><span style='font-size: smaller; font-style: italic;'>[pizarro1946v5]</span>    M. Pizarro, <em>Memórias Históricas do Rio de Janeiro</em>, da Educa&#231;&#227;o e Sa&#250;de, M. and Nacional, I., Eds., Instituto Nacional do Livro, 1946, vol. 5.</p>
<div class="livro"><code>@book{pizarro1946v5, added-at = {2012-04-22T12:24:21.000+0200}, <br />
 &nbsp; author = {Pizarro, Monsenhor}, <br />
 &nbsp; biburl = {http://www.bibsonomy.org/bibtex/2deae7e294c6efd5561eee8d84c78807e/halleypo}, <br />
 &nbsp; description = {José de Souza Azevedo Pizarro e Araújo era filho do coronel Luiz Manuel Carneiro da Cunha e de dona Maria Josepha de Souza Pizarro. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 12 de outubro de 1753. Fez os primeiros estudos na cidade natal e terminou-os na Universidade de Coimbra onde se bacharelou em cânones. De volta ao Rio, recebeu o presbiterado em 1780. Em 1801 embarcou para Portugal onde, em recompensa pelos serviços militares prestados pelo pai, recebeu do Príncipe Regente D. João, a mercê do hábito da Ordem de Cristo em que professou e a conezia da Santa Igreja Patriarcal. Voltou ao Brasil com a corte portuguesa, e daqui nunca mais saiu. No Rio, exerceu as mais altas funções civis e eclesiásticas, tais como, conselheiro de D. João VI, tesoureiro e arcipreste da Real Capela, deputado da mesa de consciência e ordens, conselheiro honorário do Tribunal da Justiça, procurador geral das três ordens militares etc. etc. Depois da Independência, foi deputado à primeira Legislatura e presidiu a Assembléia por algum tempo. Velho e cansado. obteve demissão dos serviços da Capela Real, conservando porém todas as vantagens do cargo. Pôde então cuidar da impressão das suas Memórias Históricas. Em 14 de maio de 1830, quando dava um passeio no jardim da Lagoa Rodrigo de Freitas, o atual Jardim Botânico, faleceu de apoplexia, com 77 anos de idade. Como se vê. a vida de Pizarro foi uma vida pacata e calma de alto funcionário e dignitário eclesiástico. Uma única paixão o dominou, a de remexer arquivos e pesquisar documentos para a publicação das Memórias Históricas. Foi em 1781 que Pizarro começou a coligir documentos e dados para escrever uma história do bispado do Rio de Janeiro. Começou a pesquisar o que havia nos arquivos eclesiásticos da cidade. Encontrou pouca coisa e tudo na maior desordem. Mas, entre a documentação que colheu, achou certos trabalhos feitos com método e que lhe foram do maior recurso. Entre eles o que tinha escrito o secretário do cabido, o Cônego Doutoral Henrique Moreira de Carvalho, "sujeito muito hábiL.. (que) se entregou todo a descobrir antigualhas precisas". Serviu-se também de uma Memória dos prelados e dos bispos, redigida pelo secretário do cabido, o Cônego Magistral José Joaquim Pinheiro. Essa memória, apesar de muito breve, foi a única fonte que teve à mão para estabelecer uma lista dos bispos e prelados da diocese. Foi-lhe ainda de grande recurso a documentação que o Cônego José de Souza Marmelo, secretário do bispo D. Fr. Antonio de Desterro, recolhera para a redação de um catálogo das Igrejas, Comarcas e Vigárias das Varas do Bispado. Valeu-se também de todos os livros impressos até então. Esses trabalhos foram as únicas fontes metódicas que teve como pista para iniciar o seu estudo. O resto estava em manuscritos desordenados, espalhados pelos arquivos eclesiásticos do Rio de Janeiro e do "recôncavo". Mas, por maior que fosse a riqueza desses arquivos eclesiásticos, não era bastante para prosseguir no seu plano. Pizarro passou, então, a recorrer aos arquivos civis, e, aos poucos, foi alargando suas investigações do Rio a outras cidades do Brasil, e até a Lisboa. Levou perto de quarenta anos rebuscando todos os arquivos, todos os manuscritos que pôde. Nessa labuta constante foi encontrando muito documento importante que nada tinha que ver com a história do bispado do Rio de Janeiro propriamente dita. Não teve coragem de pô-las de parte de selecioná-los, de maneira a só aproveitar o que interessava o trabalho que tinha em mente. O resultado foi que, em vez de escrever uma história eclesiástica do bispado do Rio de Janeiro, como pretendia a princípio, produziu dez tomos maçudos, repletos das informações mais heterogêneas sobre o Rio, Bahia, Pernambuco, São Paulo. Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande, Colônia do Sacramento e outros lugares. A parte mais desenvolvida é a que se refere ao Rio de Janeiro. Abrange os sete primeiros tomos. Os restantes são dedicados às demais partes do Brasil. Mas seria otimismo estabelecer uma separação tão nítida entre as diferentes partes da obra de Pizarro. Nos tomos que tratam do Rio, há muita coisa que interessa outros lugares... e vice-versa. Há de tudo nos dez tomos das Memórias Históricas, até erros.}, <br />
 &nbsp; editor = {da Educação e Saúde, Ministério and Nacional, Imprensa}, <br />
 &nbsp; interhash = {bd7de537bd95f96e310930a0b74340d2}, <br />
 &nbsp; intrahash = {deae7e294c6efd5561eee8d84c78807e}, <br />
 &nbsp; keywords = {históricas memórias riodejaneiro}, <br />
 &nbsp; publisher = {Instituto Nacional do Livro}, <br />
 &nbsp; series = {Biblioteca Popular Brasileira - VIII}, <br />
 &nbsp; timestamp = {2012-04-22T12:24:21.000+0200}, <br />
 &nbsp; title = {Memórias Históricas do Rio de Janeiro}, <br />
 &nbsp; volume = 5, year = 1946</code></div>
</div>
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<p class="nota"><img class="alignleft" src="wp-content/uploads/2010/06/adobe_reader_mnemonic_50x50.jpg"> Veja ou baixe as páginas originais do livro em pdf:<br /><a href="download/monsenhor_pizarro_paqueta.pdf" target="_blank">Senhor Bom Jesus do Monte de Paquetá, por Monsenhor Pizarro</a></p>
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		<title>São Roque, por Vieira Fazenda</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 21:01:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Festa Religiosa]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Baía da Guanabara]]></category>
		<category><![CDATA[Capela de São Roque]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia Cantareira]]></category>
		<category><![CDATA[Engenho da Pedra]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte]]></category>
		<category><![CDATA[Ilha de Brocoió]]></category>
		<category><![CDATA[Ilha de Paquetá]]></category>
		<category><![CDATA[Ilha do Governador]]></category>
		<category><![CDATA[Morro Cara de Cão]]></category>
		<category><![CDATA[Morro de São João]]></category>
		<category><![CDATA[Morro do Pão de Açúcar]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Casa da Misericórdia]]></category>

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		<description><![CDATA[Muito agastado com o povo desta nossa capital deve estar o santo advogado contra a peste. O dia 16 de agosto, consagrado pela Igreja ao antigo e milagroso padroeiro da esmeraldina Paquetá, passou este ano quase despercebido dos cariocas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8405" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70526948" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/capela_sao_roque_9318_miniatura.jpg" alt="Capela São Roque em Paquetá" title="Capela São Roque em Paquetá" width="288" height="192" class="size-full wp-image-8405" /></a><p class="wp-caption-text">Capela São Roque em Paquetá</p></div>
<p class="titulo">I</p>
<p>Muito agastado com o povo desta nossa capital deve estar o santo advogado contra a peste. O dia 16 de agosto, consagrado pela Igreja ao antigo e milagroso padroeiro da esmeraldina Paquetá, passou este ano quase despercebido dos cariocas. Se não fossem o zelo e solicitude do bom e digno vigário, o padre Juvenal Madeira, auxiliado pelos velhos devotos da ilha, São Roque não teria nem novenas, nem missa cantada.</p>
<p>Até a chuva impertinente afastou da proverbial romaria os poucos que se lembravam da festa. A maioria, porém, apesar da inclemência do tempo, olhos voltados para a <i>Exposição</i>, deixou no esquecimento o santo, de cujo patrocínio muito havemos mister, agora que a varíola vai atirando ao túmulo tantas e tantas vítimas!<span id="more-8410"></span></p>
<p>Até os santos sofrem os caprichos do tempo e das modas! E São Roque, neste 1908 <i><a class="jTip" href="ajax/dernier_cri.html?width=300" id="id-1550461592" name="Dernier cri">dernier&nbsp;cri</a></i>, bem pudera, em <a class="jTip" href="ajax/soliloquio.html?width=300" id="id-889866471" name="Solilóquio">solilóquio</a>, repetir os versos da modinha cantada pelos trovadores da ilha:</p>
<blockquote>
<p>&ndash; Quando as glórias que eu gozei<br />Vou na mente revolvendo.</p>
</blockquote>
<p>Em verdade, não vai longe o tempo, em que o grande santo gozava de verdadeira popularidade nos meses, que decorrem de agosto a dezembro.</p>
<p>Quase sempre era escolhido um domingo destes meses, quando se previa que o tempo fosse mais conveniente, para a enorme concorrência de fiéis, que da cidade e das redondezas da faceira Guanabara deviam vir à ilha por D. João VI denominada dos <i>Amores</i>.</p>
<p>Na grande massa dos devotos destacavam-se navegantes, pescadores e homens do mar.</p>
<p>Deles era São Roque também o supremo recurso, como atestavam sugestivas placas de madeira penduradas do teto ao chão, nas paredes da sacristia da velha capela ora demolida. Continham tais placas a história e os nomes dos náufragos salvos pela poderosa intervenção de São Roque.</p>
<p>As chamadas <i>promessas</i> de cera eram tantas todos os anos, que de vez em quando se tornava preciso mandar converter as mais velhas em tochas e velas para o serviço religioso do Santo.</p>
<p>Era isto necessário para dar lugar e acomodar novos testemunhos de graças e milagres alcançados.</p>
<p>Na véspera da festa, as praias de Paquetá ficavam coalhadas de <a class="jTip" href="ajax/falua.html?width=300" id="id-904245331" name="Falua">falua</a>s e barcos da roça, embandeirados e garridamente engalanados de flores e folhagens. Conduziam famílias vindas de longe. Cozinhavam e dormiam a bordo, aguardando o alvorecer do grande dia. Neste, às 3 horas da tarde, chegavam de Petrópolis, Magé, Niterói e da cidade os devotos em numerosas caravanas. E na Enseada da Freguesia podiam ser contados 14 a 16 vapores. Não seria isto para admirar hoje. Tal quantidade de embarcações, há 20 ou 25 anos atrás, era verdadeiro acontecimento.</p>
<p>Havia cavalhadas, fados, argolinha e cavalinhos de pau. Terminava a festança com o tradicional leilão de prendas e o fogo de artifício, queimado às 10h da noite.</p>
<p>Começava, então, o movimento da retirada, e de terra e do mar ouviam-se as aclamações do povo, dando vivas &ndash; <i>a São Roque para o ano</i>. E tudo acabava em alegrias e santa paz, sem desordens nem facadas.</p>
<p>Fez exceção à regra o ano, em que se deu o sinistro, do qual foi vítima o Dr. Sabino Frougeth.</p>
<p>Este distinto cavalheiro fora visto no meio de amigos visitar contente a Ermida de São Roque. Na volta e ao entrar na barca, tropeçou em um balde e caiu no mar. Apesar de todas as providências, só foi encontrado o corpo dias depois, já meio devorado pelos peixes! </p>
<p>Como tudo muda! Este ano nem a Cantareira pôs barcas extraordinárias no dia da Festa de São Roque. Também para quê? Se não havia concorrência, e seria certo o prejuízo. Bem o compreendeu o benemérito Visconde de Moraes (somente o conheço de retrato e pela fama de seu espírito igual ao de Frontin, Mauá e José Clemente). S. Exa., perfeito conhecedor das coisas e dos homens, viu que São Roque seria este ano posto à margem.</p>
<p>Nem se pense que nas romarias antigas figurasse somente gente de pouco mais ou menos. O próprio D. João VI lá foi algumas vezes, e em uma delas pagou promessa pelo curativo de uma úlcera, que muito o molestava. Esta havia resistido à ciência dos médicos, cirurgiões e licenciados do tempo, não somente cá da terra como de fora. Dera causa à queixa um carrapato imprudentemente arrancado pelo príncipe. Ainda há dias, o ilustrado Dr. Pereira da Silva, aludindo a esse fato, asseverou que D. João ficara livre da úlcera graças à intervenção de um curandeiro de nomeada. Não sei por que o meu amigo aceitou esta versão, ele tão devoto de São Cristóvão. Por que atribuir à obra humana &ndash; milagre que o filho de Dona Maria I obteve por intermédio de São Roque? Pelo menos, é esta a tradição conservada entre os antigos habitantes de Paquetá. </p>
<p>Hospedava-se D. João na grande casa pertencente ao oficial de milícias, Francisco Gonçalves da Fonseca (negociava para Angola), o qual, por esta honra foi promovido a brigadeiro. O prédio ainda existe, colocado no meio de grande chácara e sito na Rua dos Muros. Em tempos posteriores, se me não falha a memória, deste solar foi proprietária Dona Anna de Brito, mãe do desembargador Luiz Fortunato de Brito Souza e Menezes.</p>
<p>Do lado oposto da rua existe também ainda um prédio baixo, subdividido hoje em diversos compartimentos. Aí dava D. João audiência e despachava. Prova é de que o rei divertia-se na ilha. Não se olvidava todavia de seus deveres de monarca e de cuidar dos negócios da <i>república</i>, como então se dizia, e da felicidade de seus vassalos.</p>
<p>Em parte desta casa reside um amigo meu, a quem visitei no dia 9 do corrente. Cheguei às 2 horas e parti na barca das 7. Foi um dia cheio; percorri os principais e mais pitorescos lugares da ilha. Havia mais de 40 anos que eu não pisava terras onde, segundo Theodoro Sampaio, havia abundância de pacas. Na opinião do ilustre filólogo, <i>etá</i> significa em língua tupi &ndash; muito &ndash; grande número, quantidade.</p>
<p>Visitei de propósito a antiga Capela de São Roque. Foi demolida, e em seu lugar está outra em via de construção. O motivo ao diante se dirá. Eis por que São Roque está hospedado na freguesia &ndash; São Bom Jesus do Monte, belo e elegante santuário reconstruído pelo comendador Antônio Martins Lage e aberto ao culto em 2 de setembro de 1900.</p>
<p>Tive uma decepção ao procurar o célebre poço, do qual, segundo a tradição, se tirava água para as obras da primitiva ermida. Segundo é fama, moça solteira que fosse a Paquetá e bebesse da tal água, casaria infalivelmente dentro de um ano. É mais uma virtude que possui São Roque. Não é, pois, Santo Antônio o único a ter este privilégio, com referências às jovens.</p>
<p>Quanto às velhas, gozou e ainda goza do monopólio de casamenteiro delas São Gonçalo de Amarante. E por sinal que aqui tem altar na Igreja de São Pedro; foi instituído pelo bispo D. Antônio de Guadalupe, compatriota de São Gonçalo. Formou-se até uma confraria numerosa, que durou enquanto aqui esteve o prelado. Removido este para outra diocese, caiu o <a class="jTip" href="ajax/sodalicio.html?width=300" id="id-1783947994" name="Sodalício">sodalício</a> em decadência, e São Gonçalo de Amarante é hoje conhecido por pouca gente. <i>Sic transit gloria mundi!</i></p>
<p>Mas o poço de São Roque já não é o mesmo. Esboroado, de paredes sujas, cheias de plantas parasitas contém pouca água, e esta mesma cheia de limo. Creio que se alguma jovem quisesse, hoje, verificar o milagre casamenteiro, não ficaria ligada pelo <i>conjugo vos</i>. Agarraria com certeza alguma febre intermitente. </p>
<p>Voltemos, porém, ao passado. Das visitas de D. João VI guarda Paquetá perpétua lembrança. É uma peça enterrada na antiga Praça do Medeiros. Quando moço e muito frequentador de Paquetá, nunca obtive explicação para este fato. Velho e conversando com antigo habitante da ilha, eis o que este me referiu: esse pequeno canhão e outro que desapareceu serviram para salvar e anunciar a aproximação do rei. Partiu ele da Quina do Caju, do Engenho da Pedra ou mesmo da Ilha do Governador, onde se hospedava na casa dos frades Bentos. A galeota real fazia proa para Paquetá, e o rei desembarcava saudado e aclamado pelos fiéis insulanos. Queriam todos beijar-lhe a mão carnuda. Ele a dava com satisfação, vendo em tudo e por toda parte quanto era querido e respeitado. Por isto derramava lágrimas sentidas, quando ao deixar as plagas do Rio de Janeiro dizia a seus favoritos: &ldquo;aqui passei os melhores anos da minha vida&rdquo;.</p>
<p>D. Pedro I, José Bonifácio, o regente Bráulio Moniz, Evaristo da Veiga e muitos outros personagens ilustres frequentavam Paquetá e fizeram parte das romarias de São Roque. A mocidade do tempo, médicos, advogados, capitalistas, visitavam a Ilha dos Amores, do mesmo modo por que hoje se prefere o Leme, a Tijuca, o Sumaré e Petrópolis. Era a moda e o <i>smartismo</i> da época.</p>
<p>Aos dias de folgança sucederam para Paquetá outros de sustos, horror e desgraças. Foi em nossos tempos. Ninguém ainda se esqueceu dos lutuosos dias da Revolta de 1893-94. Citarei aqui trechos de uma carta que me foi dirigida por pessoa respeitável e digna da maior consideração. Testemunhou os fatos e deles escreveu.</p>
<p>&ldquo;Os poucos mortos na cidade encontravam seu último agasalho nas necrópoles dos arrabaldes. E os que morriam sobre as salsas águas da baía, vitimados pelas peças e obuses de terra? Houve geral repugnância em atirar ao mar os cadáveres dos que heroicamente perdiam a vida, persuadidos de se sacrificarem pela honra da pátria. Paquetá os acolheu.</p>
<p>Todas as tardes para ali seguia uma lancha e às vezes duas, carregadas de marinheiros mortos, de troncos sem pernas, de braços despedaçados, de cabeças irreconhecíveis, e esses membros, ainda sangrando, enchiam de dó e de pavor os que esperavam na Praia de São Roque tão lúgubres despojos. Daí eram transportados para a capela e depostos no chão. Não podia ser de outra forma. Procedia-se ao cálculo da extensão de terra, que era necessário cavar para receber aqueles restos. Chegavam as carroças às 2 ou 3 horas da noite à porta da capela. Os coveiros eram os próprios carroceiros, e fazia-se o enterro às primeiras horas da madrugada. O sangue empoçado no soalho entranhou-se de tal modo, que, cessando o morticínio, depois de seis meses de lutas, foi impossível extinguir ou apagar as rubras nódoas, que pareciam haver atravessado a madeira de lado a lado. As pessoas que visitavam a igreja, depois de passada a época de terror mais intenso, não querendo pisar sobre tais manchas, andavam cosidas às paredes, porque somente junto delas havia um trilho estreito sem aqueles sinais de morte violenta.&rdquo;</p>
<p>Felizmente, com a demolição da capela de São Roque desapareceram estes terríveis vestígios das amaldiçoadas lutas civis de irmãos contra irmãos, filhos todos desta generosa e grande terra brasileira!</p>
<p>Domingo, 30 de agosto de 1908.</p>
<div id="attachment_8413" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70527146" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/capela_sao_roque_interior_miniatura.jpg" alt="Interior da atual Capela de São Roque" title="Interior da atual Capela de São Roque" width="288" height="192" class="size-full wp-image-8413" /></a><p class="wp-caption-text">Interior da atual Capela de São Roque</p></div>
<p class="titulo">II</p>
<p>Na Ilha de Brocoió, a oeste, e distante, da de Paquetá cerca de 400 metros, fundara importante fábrica de cal um operoso português. </p>
<p>Fora homem do mar e, após repetidas viagens de longo curso em navio de sua propriedade, juntara cabedal. Visitando as cercanias da baía do Rio de Janeiro, enamorou-se de suas maravilhosas belezas. Feitos os necessários cálculos econômicos, resolveu mudar de vida e tornou-se industrial.</p>
<p>Chamava-se este capitão de navio Joaquim José Pinto Serqueira, tronco da árvore genealógica da muito conhecida e distinta família dos Serqueiras de Paquetá. Dela, seja-me lícito salientar Thomaz José Pinto Serqueira, modelo dos funcionários públicos, <a class="jTip" href="ajax/publicista.html?width=300" id="id-2101743279" name="Publicista">publicista</a> notável e auxiliar de prestígio junto de Bernardo Pereira de Vasconcellos, amigo e dedicado companheiro de mesa de José Clemente Pereira, na Santa Casa de Misericórdia.</p>
<p>Foi Serqueira quem, na qualidade de escrivão, assumiu a provedoria e anunciou a seus confrades a morte do grande provedor. Tais eram as qualidades morais de Thomaz Serqueira, que a terceira imperatriz por vezes lhe confiou missões de verdadeira e confiante amiga. Leia quem quiser no <i>Álbum Imperial</i>, publicado em São Paulo, a narrativa do arranjo de oito contos de réis emprestados. Deles carecia a imperatriz para salvar de apuros e vexames um velho e dedicado amigo de D. Pedro II. O modo criterioso por que em tal emergência se houve Thomaz Serqueira dá bem medida do quilate de seu belo caráter.</p>
<p>Mas o patriarca Joaquim Serqueira, incansável trabalhador, viu em breve satisfeitas suas aspirações. Aumentou a sua fortuna e em 1822 mandava vir a família, que deixara em Portugal. Pouco depois comprou a Dona Maria Florência de Gordilho, irmã da Marquesa de Jacarepaguá, a fazenda de São Roque, situada em Paquetá. Desta fazenda fazia parte a capela do mesmo santo. As terras adquiridas haviam constituído, outrora, importante sesmaria concedida quando ainda a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro tinha por defesas naturais o Pão de Açúcar e o <i>Morro Cara de Cão</i> (hoje São João).</p>
<p>Cabe aqui rápida descrição da capela, tal qual a recebeu o velho Serqueira. Sirvo-me ainda aqui da carta, a que já aludi. Nela existem importantes notas, das quais, com a devida autorização, me aproveito.</p>
<p>Era o pequeno e antigo santuário consagrado a São Roque, dividido em três partes: a menor e mais estreita constituía a capela-mor, onde se elevava o trono do padroeiro, e era naquele tempo o único altar existente. Seguia-se a nave, ocupando maior espaço e dividida em duas outras partes: a primeira tinha entrada por larga porta lateral, próxima de púlpito móvel. A segunda parte (terceira de todo edifício) era formada por uma parede com porta ao centro e uma janela de cada lado. Por último se via de dentro da capela a porta principal ou da frente e mais uma ao lado.</p>
<p>Por cima destas duas últimas portas ficava o coro, para o qual da rua se subia por uma escada a céu aberto, feita de tijolos e do lado do Morro de São Roque.</p>
<p>A portinha do coro, que era de teto baixo, dava também entrada para uma única tribuna, sustentada por varões de ferro, e da qual assistia a todas as cerimônias a família Serqueira.</p>
<p>Esta mesma escada comunicava com a da torre, de medíocre altura, levantada sobre paredes de grossura despropositada. Desse mesmo lado, e junto à igrejinha, estava da outra extremidade uma pequena casa, dividida em dois compartimentos: no maior, comunicando-se com a capela-mor, estava a sacristia, e no menor eram guardados os objetos do culto.</p>
<p>Vire folha e não seja cacete, dirá o amável leitor. Tende paciência e nada de egoísmo.</p>
<div id="attachment_8403" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70527577" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/pedra_moreninha_9325_miniatura.jpg" alt="Pedra da Moreninha em Paquetá" title="Pedra da Moreninha em Paquetá" width="288" height="192" class="size-full wp-image-8403" /></a><p class="wp-caption-text">Pedra da Moreninha em Paquetá</p></div>
<p>Da capela não foram, creio, tiradas fotografias. Ora, demos de barato que daqui a muitos anos algum romancista queira ter a celebridade do Macedo com a sua <i>Moreninha</i>. Preciso é que ele não confunda alhos com bugalhos e não coloque à direita o que ficava à esquerda e vice-versa. Pelo menos com a minha pálida descrição ficam salvas as minúcias da cor local.</p>
<p>Mas que indicava no corpo da capela a parede sólida com uma porta e duas janelas gradeadas, de ferro batido, como se fossem de <a class="jTip" href="ajax/cafua.html?width=300" id="id-1203175065" name="Cafua">cafua</a>? Para que serviria? Di-lo a tradição. Era a indústria de cal a única explorada em Paquetá e nela se ocupavam negros cativos. Quando à missa ia toda a gente moradora nas terras da fazenda e no resto da ilha, os livres tomavam lugar no corpo da igreja e os escravos, no espaço ladrilhado apenas, das grades para o fim da nave por baixo do coro.</p>
<p>De tal separação ainda existem vestígios em capelas do Brasil, as quais pertenceram a fazendas onde era numerosa a escravatura, como se brancos ou negros, livres ou escravos não fossem todos irmãos perante Deus. A família Serqueira, seja dito em honra sua, nunca fez sair da parte média da capela qualquer preto, que ali entrasse inconscientemente.</p>
<p>Faleceu o velho Joaquim Serqueira a 2 de maio de 1848, e em partilha julgada a 6 de julho do ano seguinte coube a capela ao 2&ordm; filho Pedro José Pinto Serqueira. Fez este sérios reparos na antiga ermida. Mandou derrubar a parede afrontosa, assoalhou toda a nave, apagando assim o último sinal de separação de classes. </p>
<p>Nos últimos tempos a Capela de São Roque possuía mais dois altares: o primeiro dedicado a Nossa Senhora das Dores, por haver salvo da morte uma doente &ndash; a filha do comendador Pedro Serqueira. </p>
<p>A belíssima imagem foi mandada vir de Portugal em cumprimento de promessa feita em 1861 pelo dedicado amigo da família, o Comendador Guilherme Pinto de Magalhães, abastado habitante de Paquetá. De Pinto de Magalhães escreveu a biografia o meu amigo Dr. Marques Pinheiro.</p>
<p>O leitor encontrá-la-á não só em opúsculo separado como em uma das <i>Revistas</i> do Instituto Histórico.</p>
<p>O outro altar ainda não definitivo era ocupado pela imagem de São Sebastião em consequência de um voto feito por distinta senhora da corte perigosamente enferma, e que na ilha recuperara a saúde. </p>
<p>Em 13 de outubro de 1876 faleceu o comendador Pedro Serqueira, e a Capela de São Roque ficou pertencendo a Dona Adelaide Adelina Serqueira de Alambary Luz, verdadeira e virtuosa mãe de família.</p>
<p>A 1 de outubro de 1897 deixou de existir a proprietária da capela, que hoje pertence ao Arcebispado do Rio de Janeiro. A leitura dos seguintes documentos dará explicação do fato:</p>
<p>&ldquo;Eu, abaixo firmado, no pleno gozo do direito que me é assegurado pela sentença do Tribunal Civil e Criminal de 25 de Abril do ano próximo pretérito de 1901, nos autos de inventário dos bens deixados por minha falecida mulher Dona Adelaide Adelina Serqueira de Alambary Luz, mandando lançar à minha meação a Capela de São Roque, em cuja posse nesta ilha me acho há mais de um quarto de século (primitivamente como cabeça de casal, depois como proprietário); atendendo a que maior lustre e merecimento assumirá o culto do referido e venerado santo, estando o seu pequeno e velho templo sob a imediata administração das altas autoridades eclesiásticas, e ao mesmo tempo acedendo às instantes solicitações de meus filhos, que de igual modo pensam, acerca de tão elevado assunto, &ndash; resolvi muito voluntariamente, e sem a menor insinuação de pessoa estranha à minha família, ceder, como de fato cedo, com todos os meus direitos sobre a mesma Capela de São Roque ao Arcebispo do Rio de Janeiro, hoje, sob o paternal governo do muito digno e ilustrado Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo D. Joaquim Arcoverde, transferindo para as benignas mãos de Sua Eminência Revma., não só a sobredita capela, como tudo quanto a ela pertence. E para que produza todos os efeitos legais, escrevo do meu próprio punho esta irretratável declaração, que é por mim assinada e pelos meus dois filhos Adelina e Pedro, meus únicos e legítimos herdeiros. Ilha de Paquetá, 17 de Agosto de 1902. &ndash; <i>José Carlos d&rsquo;Alambary Luz &ndash; Adelina Verginia Serqueira d&rsquo;Alambary Luz &ndash; Pedro Serqueira d&rsquo;Alambary Luz</i>&rdquo;.</p>
<p>O Sr. Arcebispo, hoje Cardeal, mandou lavrar o seguinte ato:</p>
<p>&ldquo;Declaramos, para que em todo o tempo conste, que aceitamos no devido valor canônico a declaração acima de cessão de todos os seus direitos sobre a Capela de São Roque na Ilha de Paquetá e tudo que a ela pertence, feita ao Arcebispado de São Sebastião do Rio de Janeiro pelo Sr. Dr. José Carlos d&rsquo;Alambary Luz e seus filhos Adelina Serqueira d&rsquo;Alambary Luz e Pedro Serqueira d&rsquo;Alambary Luz.</p>
<p>&ldquo;Querendo agora Nós dar uma prova de Nossa benevolência ao mesmo Sr. Dr. José Carlos d&rsquo;Alambary Luz pela piedosa correção, com que se houve nessa circunstância para com a autoridade eclesiástica, Havemos por bem determinar, como pela presente determinamos, que a tribuna existente na dita Capela de São Roque seja exclusivamente reservada para uso do mesmo Sr. Dr. José Carlos d&rsquo;Alambary Luz e qualquer de seus filhos acima assinados enquanto viverem, etc., etc. &ndash; Cumpra-se. Conceição, 24 de Agosto de 1902. &ndash; Assinado <font style="font-size: 120%">+</font> <i>Joaquim</i>, Arcebispo do Rio de Janeiro&rdquo;.</p>
<p>Demolida a velha capela, vai outra sendo construída no mesmo local.</p>
<p>Mas aquele antigo e modesto santuário deve ter história anterior à aquisição feita pelo velho Joaquim Serqueira.</p>
<p>É o que procurarei conhecer para concluir estas notas.</p>
<p>6 de Setembro de 1908.</p>
<div id="attachment_8406" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70527415" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/igreja_sao_bom_jesus_monte_9385_miniatura.jpg" alt="Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte em Paquetá" title="Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte em Paquetá" width="288" height="432" class="size-full wp-image-8406" /></a><p class="wp-caption-text">Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte em Paquetá</p></div>
<p class="titulo">III</p>
<p>A Ilha de Paquetá, em nossa Baía de Guanabara, está na distância de quase dez milhas da Capital Federal e estende-se irregularmente por quase meia légua, obedecendo em seu maior comprimento à linha norte-sul.</p>
<p>Nas extremidades destes dois pontos alarga-se extraordinariamente e na parte média estreita-se, de modo que um canal apenas de quatro ou cinco dezenas de metros poderia converter aquela unidade de belezas naturais em duas outras, &ndash; não rivais, mas ostentando ambas igual lindeza e força de atração.</p>
<p>Parece que alguns dos antigos, de mais fino gosto, personalizaram aquele todo em fada mágica de terrestre perfeição; porquanto, ainda hoje, o ponto em que o mar lhe constrange extremamente o corpo adorável é conhecido pelo nome de <i>cintura</i>.</p>
<p>Outros habitantes, mais positivos, os que não se abandonavam a enlevos poéticos, deram a essa faixa de terreno nome de Ladeira do Vicente, devido a seu principal morador, conhecido geralmente na ilha por Vicente da ladeira.</p>
<p>Tal é a sucinta, exata e poética descrição da antiga Pacataá, ou Paquetá, feita pelo ilustre missivista, a quem devo preciosas notas acerca do assunto destes artigos sobre São Roque.</p>
<p>Mal havia lançado Estácio de Sá junto do Pão de Açúcar os alicerces da Cidade de São Sebastião, seus companheiros de lutas e fadigas pediram a este primeiro capitão-mor terras e sesmarias com intuito de as cultivar. Deu-lhas com generosidade o sobrinho de Mem de Sá, não só nas redondezas da baía como em diversas ilhas nelas existentes.</p>
<p>Para se avaliar o número de aquinhoados basta ler a lista de seus nomes, no volume 63&ordm; da Revista do Instituto Histórico. Um deles, Ignácio de Bulhões, requereu e obteve em 10 de setembro de 1565 um lote de terras na Ilha de Paquetá.</p>
<p>A porção concedida ficava entre o caminho hoje do Vicente e o extremo norte da ilha. Compreendia por isso todos os montes, enseadas e praias circunjacentes, formando quase metade de Paquetá e fronteira a São Francisco de Coroará, São Gonçalo e Suruí.</p>
<p>Pouco depois, e foi título de 11 de fevereiro de 1566 outro povoador do Rio de Janeiro, Fernão Baldez, obtinha ainda de Estácio de Sá a parte sul da ilha.</p>
<p>Este Baldez parece ter sido pessoa de importância. Ligou seu nome ao trecho de uma rua da cidade. Suponho ser a da Misericórdia, no ponto em que se abriu a antiga Ladeira do Colégio.</p>
<p>Por maiores diligências feitas para saber a data primeira da fundação da Capela de São Roque, nada consegui. Apelei para o meu amigo Eduardo Marques Peixoto, a ver se ele, no Arquivo Nacional, do qual é digno e operoso funcionário, algo encontrava nos antigos livros da Mesa de Consciência e Ordens.</p>
<p>Por enquanto tenho que me contentar com o que escreveu Monsenhor Pizarro. Refere este que na parte norte da ilha (portanto na sesmaria de Bulhões) existiu uma capela dedicada a São Roque, pelo Padre Manoel Antônio Espinha, que a fundara com provisão de 29 de dezembro de 1697, passada em Lisboa por faculdade do Bispo D. José de Barros Alarcão e fora benzida a 24 de novembro do ano seguinte para entrar em uso.</p>
<p>Como já disse em outro artigo, este bispo fora chamado à Metrópole para se defender de sérias acusações, que lhe faziam os povos, não só do Rio de Janeiro, como de São Paulo.</p>
<p>Distando Paquetá da Paróquia de Magepe (hoje Magé), a que pertencia, cerca de duas ou três léguas, os habitantes da ilha, tendo necessidade de socorros espirituais, eram obrigados a vencer grande extensão de mar, nem sempre bonançoso.</p>
<p>Para atenuar tais inconvenientes, o Bispo D. Antônio de Guadalupe, em visita de 17 de novembro de 1728, concedeu à Capela de São Roque o privilégio de pia batismal e o de conservar a Extrema-Unção.</p>
<p>Anos depois, outro prelado, D. Frei Antônio do Desterro, aumentou aquelas graças e concedeu à citada capelinha a permissão de conservar perpetuamente o Sacramento em Sacrário. Erigiu a Capela Curada e nomeou para primeiro capelão o Padre Antônio Ramos de Macedo, provido em data de 1761.</p>
<p>Ora, por aquele tempo levantava, na parte sul da ilha, Manuel Cardoso Ramos uma capela edificada ao Senhor Bom Jesus do Monte. Para patrimônio do santuário, doara o mesmo Ramos terras com 20 braças de testada sobre 27de fundo, &ndash; tudo por escritura de 29 de novembro de 1758.</p>
<p>Por sugestão, talvez de Ramos, os habitantes da antiga Sesmaria de Baldez pediram ao Bispo Desterro a criação de uma paróquia, cuja sede fosse o Bom Jesus do Monte. Para ganhar as boas graças do prelado, ainda Ramos doou nova porção de terras.</p>
<p>Cedeu o Bispo Desterro, e a nova freguesia foi ereta por edital de 23 de junho de 1769. Foram desmembradas terras das freguesias de Magé e São Gonçalo.</p>
<p>Sacerdote cordato, não protestou o pároco de Magé contra o corte que sofreram os seus domínios. Não o podia nem o devia fazer, atentos às condições com que, quando nomeados, os sacerdotes aceitavam as paróquias.</p>
<p>Não esteve pelos autos o Vigário de São Gonçalo: tiravam-lhe as ilhas Jurubaíbas e do Itaocara. Tanto fez que conseguiu, em 1770, voltassem para sua jurisdição as precitadas ilhas.</p>
<p>Por sua vez os habitantes do norte da Ilha de Paquetá requereram ficasse toda a ilha sujeita de novo à freguesia de Magé, conservando-se o antigo <i><a class="jTip" href="ajax/statu_quo.html?width=300" id="id-434884988" name="Statu quo">statu&nbsp;quo</a></i>, isto é, que São Roque continuasse a ter sacrário, pia batismal e capelão curado! Por aí se deixa ver a desordem, ciúmes e intrigas que separavam então os insulanos no norte dos do sul de Paquetá.</p>
<p>Alcançaram o desejado por um acórdão, ao qual se seguiram mais três, por não haver sido cumprido o segundo pelo bispo, e por fim pelo assento do Desembargo do Paço, de 21 de julho de 1771.</p>
<p>Baseava-se este nas seguintes razões: 1&ordf; incompetência do bispo de poder a seu arbítrio erigir paróquias sem autoridade do rei padroeiro e grão-mestre da Ordem de Cristo. 2&ordf;, a falta de justa causa para a desmembração; 3&ordf;, a falta de consentimento e vontade dos paroquianos; 4&ordf;, a falta de assento do padroeiro.</p>
<p>Em extensa nota, Monsenhor Pizarro discute todas essas questões (Págs. 276-277, tomo 5 das Memórias Históricas). Mostra-se favorável ao proceder do bispo.</p>
<p>Ficou suprimida a freguesia do Bom Jesus. Durante o tempo do litígio e final decisão foram vigários de Paquetá os padres José da Silva Furtado e João de Araújo Macedo.</p>
<p>Reunida de novo a Ilha de Paquetá à freguesia de Magé e decorridos 30 anos, diz o Dr. Moreira de Azevedo (que resume o referido por Monsenhor Pizarro) pretendeu o Padre Joaquim José da Silva ser pároco daquela ilha. Conseguiu ser apresentado sob o falso pretexto de haver sido novamente ereta essa paróquia. Pediu demissão da vigararia de São Barnabé. Foi esta aceita por aviso de 19 de junho de 1806.</p>
<p>Mas, não existindo paróquia em Paquetá, não teve efeito a graça pedida. Foi feliz. Não ficou sem Deus, sem amor e sem ti. Voltou para o seu antigo benefício! E Paquetá continuou como dantes, anexa ao distrito de Magé.</p>
<p>Com a vinda da Família Real, D. João visitou a ilha, e os moradores dela, esquecidos de antigas dissidências, requereram ao príncipe a criação ali de uma paróquia.</p>
<p>O bispo informou a favor em 13 de janeiro de 1809. Consultada a Mesa de Consciências e Ordens, não houve por parte desse tribunal oposição alguma. Afinal, por decreto de 4 de agosto de 1810, foi apresentado como pároco do Bom Jesus do Monte o Padre Manuel Teixeira Campos.</p>
<p> Por decreto de 23 de março de 1833, a freguesia de Paquetá foi desmembrada do Distrito de Magé, e passou a fazer parte do município da Corte.</p>
<p>De tudo quanto vai dito, se conclui: os antigos habitantes de Paquetá, apesar dos encantos de sua natureza &ldquo;de suas praias de límpidas areias prateadas à noite pela lua&rdquo; e onde tudo convida à paz e tranquilidade, também pagaram seu tributo à mania do tempo. Houve brigas por amor dos Santos. Quem não era São Roquista, devia ser por força São Bom Jesuísta.</p>
<p>Depois vieram as lutas políticas, e Paquetá contou em seu seio patriotas, corcundas, exaltados, moderados, federativos, luzias e saquaremas!</p>
<p>Em época mais próxima de nós, a encantadora ilha ficou até convertida em praça de guerra! Mas ponhamos de lado coisas tristes. </p>
<p>Hoje felizmente já não existem questões em Paquetá, nem por motivos divinos, nem por pendências devidas à fragilidade humana. </p>
<p>Todos são amigos e vivem contentes sob a autoridade espiritual do Padre Juvenal Madeiro.</p>
<p>Tempora mutantur. São Roque ficou sem teto e é gentilmente recebido e hospedado no Bom Jesus do Monte, antigo quartel do partido contrário!</p>
<p>Reina enfim a paz na igreja d&rsquo;Elvas.</p>
<p>Antes assim. Há pelo menos ali ordem e progresso incontestável. Paquetá vai-se constituindo em verdadeira pequena vila moderna, sem contudo destruir a luxuriante moldura que a cerca.</p>
<p>Já tem água encanada, teatro, boa iluminação, novas ruas, fon-fon, telefone e até cinematógrafo!</p>
<p>Que no meio de tantas novidades não se esqueçam os Paquetaenses de São Roque, o antigo padroeiro da ilha dos Amores.</p>
<p>13 de setembro de 1908.</p>
<p><b>Fonte:</b>
<div class="camada1">
<p class="bibliografia"><span style='font-size: smaller; font-style: italic;'>[VieiraFazenda1927a]</span>    J. V. Fazenda, &quot;Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro,&quot; <em>Revista do Instituto Hist&#243;rico e Geogr&#225;fico Brasileiro</em>, vol. Tomo 93 Volume 147, p. 615, 1927.</p>
<div class="livro"><code>@article{VieiraFazenda1927a, <br />
 &nbsp;&nbsp;author = {José Vieira Fazenda}, <br />
 &nbsp; editor = {Imprensa Nacional}, <br />
 &nbsp; interhash = {c6107a2a1f62fb4a59c430b0c750f691}, <br />
 &nbsp; intrahash = {eaf6cddc6c0b3e0e8f849c120e7376a0}, <br />
 &nbsp; journal = {Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro}, <br />
 &nbsp; note = {Quarto volume}, <br />
 &nbsp; pages = 615, title = {Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro}, <br />
 &nbsp; volume = {Tomo 93 Volume 147}, <br />
 &nbsp; year = 1927, timestamp = {2011-05-15T15:16:33.000+0200}, <br />
 &nbsp; keywords = {antiqualhas história rio-de-janeiro}, <br />
 &nbsp; added-at = {2011-05-15T15:16:33.000+0200}, <br />
 &nbsp; biburl = {http://www.bibsonomy.org/bibtex/2eaf6cddc6c0b3e0e8f849c120e7376a0/halleypo}<br />
}</code></div>
</div>
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		<title>Ilha de Paquetá, por Dunlop</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Apr 2012 22:24:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Capela de São Roque]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte]]></category>
		<category><![CDATA[Ilha de Paquetá]]></category>

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		<description><![CDATA[Pouco depois de lançados os fundamentos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, na várzea entre o Pão de Açúcar e o morro Cara-de-Cão, Estácio de Sá doou a ilha de Paquetá, em partes iguais, a Inácio de Bulhões (1565) e Fernão Baldez (1566), em atenção aos serviços prestados ao reino de Portugal, na luta travada contra os tamoios.]]></description>
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<div style="position:relative;"><div id="jquery_jplayer"></div></div>
<div id="attachment_8416" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70586241" target="_blank"><img class="size-full wp-image-8416" title="Ilha de Paquetá" src="wp-content/uploads/2012/04/paqueta_9288_miniatura.jpg" alt="Ilha de Paquetá" width="288" height="192" /></a><p class="wp-caption-text">Ilha de Paquetá</p></div>
<p>POUCO depois de lançados os fundamentos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, na várzea entre o Pão de Açúcar e o morro Cara-de-Cão, Estácio de Sá doou a ilha de Paquetá, em partes iguais, a Inácio de Bulhões (1565) e Fernão Baldez (1566), em atenção aos serviços prestados ao reino de Portugal, na luta travada contra os tamoios.</p>
<p>A ilha, cujo nome parece exprimir “muitas pacas” (“etá” significa, em língua tupi, “grande número”, “quantidade”), era então um forte reduto daqueles índios que, segundo Gastão Cruls, “aproveitavam os <a class="jTip" href="ajax/comoro.html?width=300" id="id-1046060752" name="Cômoro">cômoro</a>s como postos de observação e dali, em caso de perigo, alertavam as aldeias vizinhas, por meio de fogueiras”.</p>
<p>A freguesia de Paquetá foi criada por provisão de 21 de junho de 1769, fazendo parte das vilas de Magé e São Gonçalo, da antiga província do Rio de Janeiro. Por decreto de 23 de março de 1833, foi anexada ao município da Corte. Contava, então, pouco mais de 1.000 habitantes.<span id="more-8387"></span></p>
<div id="attachment_8405" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70526948" target="_blank"><img class="size-full wp-image-8405" title="Capela de São Roque em Paquetá" src="wp-content/uploads/2012/04/capela_sao_roque_9318_miniatura.jpg" alt="Capela de São Roque em Paquetá" width="288" height="192" /></a><p class="wp-caption-text">Capela de São Roque em Paquetá</p></div>
<p>A sua primeira capela, dedicada a São Roque, foi erigida pelo padre Manoel Antunes Espinha, em 1697, recebendo a benção para entrar em uso a 24 de novembro do ano seguinte, tendo sido seu primeiro capelão o padre Antônio Ramos Macedo.</p>
<p>Anualmente, se realiza ali, no dia 16 de agosto, a festa do padroeiro, hoje, infelizmente, sem o brilho e a concorrência de outrora. Conta Vieira Fazenda que, antigamente, desde a véspera daquele dia, atravancavam as praias da ilha dezenas de canoas, <a class="jTip" href="ajax/falua.html?width=300" id="id-1655984579" name="Falua">falua</a>s e embarcações de todo gênero, repletas de pescadores e homens do mar. Vinham embandeiradas e garridamente engalanadas de flores e folhagens. Cozinhava-se e dormia-se a bordo, aguardando-se o alvorecer do grande dia. Neste, às 3 horas da tarde, chegavam de Petrópolis, Magé, Niterói e da cidade os devotos, em numerosas caravanas. A festança conservava a primitiva feição colonial, com as célebres corridas de argolinhas, as infalíveis cavalhadas, os descantos líricos, terminando sempre com um concorrido leilão de prendas. Às 10 horas da noite, após os fogos de artifício, começava o movimento de retirada, e de terra e do mar ouviam-se as aclamações do povo, dando vivas “a São Roque pro ano”. E tudo acabava em alegria e santa paz.</p>
<div id="attachment_8406" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70527415" target="_blank"><img class="size-full wp-image-8406" title="Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte em Paquetá" src="wp-content/uploads/2012/04/igreja_sao_bom_jesus_monte_9385_miniatura.jpg" alt="Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte em Paquetá" width="288" height="432" /></a><p class="wp-caption-text">Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte em Paquetá</p></div>
<p>A igreja matriz de Paquetá é a do Senhor Bom Jesus do Monte, cuja primitiva capela, construída por Manoel Cardoso Ramos, data de 1758.</p>
<p>Tanto a antiga capela de São Roque como a do Senhor do Bom Jesus do Monte foram inteiramente reconstruídas, nada restando como lembrança dos primitivos templos. Esta última foi reedificada em 1900, às expensas do comendador Antônio Martins Lage, que pagou pelas obras mais de 200 contos.</p>
<p>Poetas e prosadores têm enaltecido as belezas naturais da “Ilha dos Amores”, como a chamava D. João VI. D. Pedro I, José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Evaristo da Veiga e Carlos Gomes, dentre muitos outros personagens ilustres, foram seus entusiastas.</p>
<p>Assim começava uma poesia de Manuel J. Gonçalves Júnior, publicada, no século passado, no “Arquivo do Retiro Literário Português”:</p>
<blockquote><p>Surgindo d’água à flor, coberta de verdura<br />
O mar em torno dela, assim branco murmura:<br />
– “Tu és da Guanabara a mais formosa filha;<br />
“Nenhuma como tu, no seu regaço brilha;<br />
“Tão bela e tão louçã, ó Paquetá saudosa!<br />
“Eu mesmo, nos vai-vens da luta porfiosa,<br />
“Ao ver o solo teu coberto de verdores,<br />
“Em ti penso beijar a Ilha dos Amores”.</p></blockquote>
<p><span class="removido">A fotografia mostra um aspecto da festa de São Roque, no começo deste século (XX).</span> <span class="adicionado">A primeira fotografia mostra uma das praias de Paquetá, a segunda fotografia mostra a Capela de São Roque, e a terceira fotografia mostra a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte, sendo todas as fotografias tiradas em 2012.</span></p>
<p><strong>Fonte:</strong>
<div class="camada1">
<p class="bibliografia"><span style='font-size: smaller; font-style: italic;'>[Dunlop1963]</span>    C. J. Dunlop, <em>Rio Antigo</em>, 3&#170; Tiragem ed., Antigo, E. R. and Ltda., G. L., Eds., , 1963, vol. I, II e III.</p>
<div class="livro"><code>@book{Dunlop1963, <br />
 &nbsp;&nbsp;author = {Charles Julius Dunlop}, <br />
 &nbsp; edition = {3ª Tiragem}, <br />
 &nbsp; editor = {Editora Rio Antigo and Gráfica Laemmert Ltda.}, <br />
 &nbsp; interhash = {05da77d3904263c5850d3dc097c6b764}, <br />
 &nbsp; intrahash = {59203753666d8788de0ab78157000509}, <br />
 &nbsp; title = {Rio Antigo}, <br />
 &nbsp; volume = {I, II e III}, <br />
 &nbsp; year = 1963, keywords = {charles-julius-dunlop história rio-de-janeiro}, <br />
 &nbsp; added-at = {2010-08-19T12:36:31.000+0200}, <br />
 &nbsp; description = {O falecimento de um de nossos historiadores modernos, ao lado de Vieira Fazenda, Noronha Santos e outros, cujas obras são consultadas por todos que escrevem sobre o passado do Rio de Janeiro, não podia passar sem ser noticiado. Charles Julius Dunlop faleceu em Petrópolis, RJ, para onde se retirara ao se aposentar após 48 anos de atividades na Light. Filho de pai inglês e mãe alemã, nasceu em Niterói a 26 de dezembro de 1908. C. J. Dunlop ingressou na Light como advogado e ali começou a reunir material sobre a legislação social-trabalhista. Suas pesquisas resultaram no livro "Legislação brasileira do trabalho", e que teve três reedições (1934,1939 e 1943). Com o material encontrado nesses trabalhos, descortinou uma fonte inesgotável de dados sobre a história carioca e publicou, com reproduções de fotografias da época, os livros "Apontamentos para a história da iluminação da Cidade do Rio de Janeiro" (1949), "Apontamentos para a história da Estrada de Ferro do Corcovado" (1951), e "Apontamentos para a história dos bondes no Rio de Janeiro Vol. I e II: (1952/1953). Os dois últimos se transformaram na magnífica obra "Apontamentos para a história dos bondes no Rio de Janeiro", que merece uma reedição. Desde 1952, C. J. Dunlop vinha publicando, na revista "Singra", tablóide inserto no jornal "Correio da Manhã", crônicas semanais com fotografias antigas, dizendo que "hoje quase ninguém lê, principalmente assuntos históricos, e para atrair o leitor, coloquei a fotografia como Isca". Os artigos saíram ininterruptamente entre 1952 e 1955. Alguns deles foram mais tarde republicados nas revistas "A Turbina" e na "Revista G.E." , assim como novos artigos. Outras crônicas saíram no jornal "Tribuna da Imprensa" e na revista "Sul América". Muitos desses artigos deram origem a três livros publicados com o título de "Rio antigo", editados entre 1953 e 1960. Os artigos eram impressos sem a preocupação de levantar os fatos dentro de sua importância cronológica ou histórica, mas apenas com o intuito de falar da vida da cidade, seguindo uma ilustração, conforme informações do próprio autor. Em 1964, Dunlop estabeleceu sua própria editora, através da qual publicou o "Álbum do Rio antigo" um ano depois, utilizando fotos do Rio de Janeiro bem antigas. Em 1972, publicou "Os meios de transporte no Rio antigo", que teve uma segunda edição em 1973. Naquele ano, lançou, também, o livro "Crônicas, fatos, gentes e coisas da nossa História". Finalmente, em outubro de 1985, apareceu a sua última obra, "Petrópolis antigamente". Os livros e artigos de Charles Dunlop tiveram como marca a simplicidade, a concisão, a segurança e a tranqüilidade de quem sabe sobre o que está falando. Dunlop sabia tirar de montanhas de documentos oficiais as informações que constituiriam o essencial de sua narrativa, rica em comentários interessantes. Ele morreu dia 8. Dunlop também tinha humor. Sabia entremear fatos pitorescos aos dados sobre coches e carruagens, por exemplo. Ao descrever o "cab" inglês, veículo de duas rodas empregado no início do século XIX, no qual o cocheiro sentava-se na traseira, não deixou de dar a definição galhofeira do carioca de então. "É o carro em que o superior que vai no interior só vê a parte anterior do inferior que lhe vai superior". Em 1837 ou 1838, surgiam no Rio de Janeiro os primeiros ônibus, puxados por quatro muares. Eram compridos, pintados de vermelho ou amarelo, com dois bancos longitudinais, nos quais podiam se sentar entre 20 e 24 passageiros. Circulavam entre Botafogo, Laranjeiras, São Cristóvão, Tijuca, Rio Comprido e Engenho Velho, contribuindo de maneira decisiva para o crescimento e desenvolvimento da cidade. Segundo Machado de Assis, para um passageiro descer, o cobrador puxava uma cordinha que ia amarrada ao braço do cocheiro. Dunlop também nos explica a origem da palavra bonde, originada no inglês bond, o cupom utilizado para pagar a passagem. Contou como foram as primeiras tentativas para a instalação de um metrô no Rio, em 1911, os primórdios da navegação na Baía de Guanabara, os projetos de trens elevados, e os de ligação entre Rio e Niterói por túneis submarinos, subterrâneos e por meio de pontes, Dunlop também escreveu a história do plano inclinado de Santa Tereza, das estradas de ferro, do bondinho do Pão-de-Açúcar e da estrada de ferro do Corcovado. No capítulo referente aos primeiros automóveis e auto-ônibus, é delicioso ler as experiências dos primeiros "chauffeurs" que o Rio de Janeiro teve. José do Patrocínio, em 1895, assustou muares e transeuntes com sua barulhenta engenhoca movida a vapor, de origem francesa, o primeiro automóvel a chegar à cidade. Tinha fornalha, caldeira e chaminé, como uma verdadeira locomotiva. Imaginem sua desolação quando, certo dia, ensinando Olavo Bilac a dirigir, viu o poeta espatifar o veículo contra o tronco de uma árvore. Já Bilac passou a gabar-se de ser o precursor das trombadas no Brasil. Obituário por Gilson Koatz e Paulo Berger publicado no jornal O Globo de 27/7/1987}, <br />
 &nbsp; biburl = {http://www.bibsonomy.org/bibtex/259203753666d8788de0ab78157000509/halleypo}<br />
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		<title>Ciclo de conferências com arquitetos franceses no auditório do IAB-RJ</title>
		<link>http://rememorarte.blog.br/?p=8263&#038;utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=ciclo-de-conferencias-com-arquitetos-franceses-no-auditorio-do-iab-rj</link>
		<comments>http://rememorarte.blog.br/?p=8263#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 22:31:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<category><![CDATA[Conferência]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto dos Arquitetos do Brasil]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rememorarte.blog.br/?p=8263</guid>
		<description><![CDATA[O IAB-RJ recebe em seu auditório, entre os dias 16 e 19 de abril, um ciclo de conferências com arquitetos e professores franceses, que atuam em diferentes escolas e escritórios. Os encontros acontecem sempre a partir das 18h30, e são abertos a todo o público interessado. A participação é gratuita e haverá tradução.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8313" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70271999" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/iab_rj_miniatura.jpg" alt="Instituto dos Arquitetos do Brasil - Rio de Janeiro" title="Instituto dos Arquitetos do Brasil - Rio de Janeiro" width="288" height="192" class="size-full wp-image-8313" /></a><p class="wp-caption-text">Instituto dos Arquitetos do Brasil - Rio de Janeiro</p></div>
<p>O IAB-RJ recebe em seu auditório, entre os dias 16 e 19 de abril, um ciclo de conferências com arquitetos e professores franceses, que atuam em diferentes escolas e escritórios. Os encontros acontecem sempre a partir das 18h30, e são abertos a todo o público interessado. A participação é gratuita e haverá tradução.</p>
<p>Os palestrantes atuam nas Écoles Nationales Supérieures d&rsquo;Architecture (ENSA) de Marselha e Versalhes. O grupo está no Brasil por conta do intercâmbio com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UFRJ, e participarão de outras atividades na cidade do Rio com alunos brasileiros e franceses.</p>
<p>Os professores apresentarão alguns dos projetos de seus escritórios, além de destacar pesquisas e investigações sobre o projeto de arquitetura na atualidade. As discussões serão abertas na segunda-feira, dia 19, com palestra dos professores Jean-Marc Chancel e Julien Monfort, da ENSA Marselha. Monfort colaborou no trabalho do holandês Rem Koolhaas.<span id="more-8263"></span></p>
<p>No dia 17, terça, o palestrante é Djamel Klouche. Professor da ENSA Versalhes, ele é sócio do L&rsquo;AUC, escritório fundado em Paris em 1996 junto com Caroline Decoster e François Paulin. A equipe é uma das dez selecionadas do Projeto Grand Paris, promovido pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que pretende transformar a região metropolitana parisiense em uma grande metrópole mundial, a exemplo de Londres e Nova York.</p>
<p>A palestra do dia 18 (quarta) será realizada por Jean Castex, que é professor e historiador da ENSA Versalhes. Autor de vários livros, ele é mais conhecido pelo clássico &ldquo;De l´îlot à la Barre&rdquo; (1977) com Jean-Charles Depaule e Philippe Panerai, e mais recentemente por &ldquo;Chicago 1910–1930, le chantier de la ville moderne&rdquo;(2009), pelo qual obteve o prêmio &ldquo; La ville à lire&rdquo;, outorgado pelo Governo Frances.</p>
<p>Fechando os encontros, Cédric Libert, professor da ENSA Versalhes e professor visitante da Universidade Laval (Québec, Canadá), realiza palestra no dia 19, quinta-feira. Com formação na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Liège (Bélgica) e na Architectural Association (Londres), ele já atuou com Zaha Hadid, entre outros grandes nomes, antes de criar o estúdio Anorak, em Bruxelas, com Cécile Chanvillard e Vincent Piroux.</p>
<p>A sede do IAB-RJ, que recebe as palestras, fica à Rua do Pinheiro, 10, Flamengo. Mais informações por telefone: (21) 2557-4480 ou 2557-4192.</p>
<p>Para maiores informações veja: <a href="http://www.iabrj.org.br/ciclo-de-conferencias-com-arquitetos-franceses-no-auditorio-do-iab-rj" target="_blank">Instituto dos Arquitetos do Brasil &#8211; Rio de Janeiro</a></p>
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<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Frememorarte.blog.br%2F%3Fp%3D8263&amp;title=Ciclo%20de%20confer%C3%AAncias%20com%20arquitetos%20franceses%20no%20audit%C3%B3rio%20do%20IAB-RJ" id="wpa2a_12"><img src="http://rememorarte.blog.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Pedra da Moreninha, por Dunlop</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 13:38:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Educação e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Ilha de Paquetá]]></category>
		<category><![CDATA[Pedra da Moreninha]]></category>
		<category><![CDATA[Praia da Moreninha]]></category>

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		<description><![CDATA[A Pedra da Moreninha é um dos atrativos da Ilha de Paquetá. Situada no fim da Praia da Moreninha, Joaquim Manoel de Macedo imortalizou-a no seu romance “A Moreninha”, publicado em 1844.]]></description>
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<div id="attachment_8403" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/70527577" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/pedra_moreninha_9325_miniatura.jpg" alt="Pedra da Moreninha em Paquetá" title="Pedra da Moreninha em Paquetá" width="288" height="192" class="size-full wp-image-8403" /></a><p class="wp-caption-text">Pedra da Moreninha em Paquetá</p></div>
<p>A PEDRA da Moreninha é um dos atrativos da Ilha de Paquetá. Situada no fim da Praia dos Coqueiros (hoje <font class="removido">Praia do Pintor Castagnetto</font> <font class="adicionado">Praia da Moreninha</font>), Joaquim Manoel de Macedo imortalizou-a no seu romance &ldquo;A Moreninha&rdquo;, publicado em 1844.</p>
<p>Macedo nasceu em Itaboraí, na antiga província do Rio de Janeiro, a 24 de junho de 1820. Diplomou-se em medicina, foi professor, jornalista, político militante, romancista, comediógrafo, poeta, folhetinista e historiador, alcançando a sua bibliografia mais de quarenta volumes publicados.</p>
<p>Usava ele barba cerrada, trazendo sempre escanhoado o lábio superior, e vestia indefectivelmente sobrecasaca e calça preta e chapéu alto de pêlo. Joaquim Manoel de Macedo faleceu em sua cidade natal, no dia 11 de abril de 1882, aos 62 anos.<span id="more-8087"></span></p>
<p>Seu primeiro romance &ndash; &ldquo;A Moreninha&rdquo; &ndash; escrito quando ele tinha 24 anos de idade, fez época, celebrizando aquela pedra, onde tiveram lugar as principais cenas de amor da heroína do livro. Na verdade, o livro são páginas íntimas do amor do próprio Macedo por Dona Maria Catarina Sodré, com quem se casou somente depois de dez longos anos, devido à oposição do velho Sodré.</p>
<p>A Pedra da Moreninha, com o correr do tempo, passou a ser mais conhecida e comentada do que o romance que a tornou célebre. </p>
<p>Ainda no começo deste século, muitos forasteiros e turistas que iam em visita a Paquetá pediam licença à família que morava naquela praia para entrar na chácara e ver a Pedra da Moreninha. Nos domingos de passeio, então a importunação dos curiosos era um Deus nos acuda. A família via-se em palpos de aranha, à vista do grande número de pessoas que pretendia entrar pelo portão da chácara. Alguns, mais audaciosos, julgavam aquilo servidão pública, e invadiam a propriedade sem qualquer aviso.</p>
<p>A Prefeitura acabou, desapropriando o imóvel e o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tombou a famosa pedra, declarando-a monumento histórico.</p>
<p>Há uma lenda, segundo a qual a moça casadoira que atirar para cima da Pedra da Moreninha uma pedrinha e esta ficar onde caiu, pode ter a certeza de que se casará dentro de um ano. Se, ao contrário, a pedrinha rolar e cair, a moça deverá jogar outra e, assim, sucessivamente, até que uma fique. Tantas pedrinhas roladas e perdidas, tantos anos de solteira&hellip;</p>
<p>&ldquo;Tive ocasião de entreter relações de amizade com a viúva de Macedo &ndash; escreveu Ernesto Senna, em 1911. Falando-lhe do romance &lsquo;A Moreninha&rsquo;, exaltou com viva emoção as qualidades afetuosas do marido, a bondade de coração que lhe era inata, discorrendo com vivas demonstrações de sentimento as saudosas recordações daquela época de sua feliz juventude. Interrogada acerca do local assinalado por &lsquo;Pedra da Moreninha&rsquo;, na Ilha de Paquetá, a boa velhinha deixou transparecer um leve sorriso, declarando-me ser tudo aquilo&hellip; uma fantasia da imaginação romântica do seu esposo!&rdquo;</p>
<p><b>Fonte:</b>
<div class="camada1">
<p class="bibliografia"><span style='font-size: smaller; font-style: italic;'>[Dunlop1963]</span>    C. J. Dunlop, <em>Rio Antigo</em>, 3&#170; Tiragem ed., Antigo, E. R. and Ltda., G. L., Eds., , 1963, vol. I, II e III.</p>
<div class="livro"><code>@book{Dunlop1963, <br />
 &nbsp;&nbsp;author = {Charles Julius Dunlop}, <br />
 &nbsp; edition = {3ª Tiragem}, <br />
 &nbsp; editor = {Editora Rio Antigo and Gráfica Laemmert Ltda.}, <br />
 &nbsp; interhash = {05da77d3904263c5850d3dc097c6b764}, <br />
 &nbsp; intrahash = {59203753666d8788de0ab78157000509}, <br />
 &nbsp; title = {Rio Antigo}, <br />
 &nbsp; volume = {I, II e III}, <br />
 &nbsp; year = 1963, keywords = {charles-julius-dunlop história rio-de-janeiro}, <br />
 &nbsp; added-at = {2010-08-19T12:36:31.000+0200}, <br />
 &nbsp; description = {O falecimento de um de nossos historiadores modernos, ao lado de Vieira Fazenda, Noronha Santos e outros, cujas obras são consultadas por todos que escrevem sobre o passado do Rio de Janeiro, não podia passar sem ser noticiado. Charles Julius Dunlop faleceu em Petrópolis, RJ, para onde se retirara ao se aposentar após 48 anos de atividades na Light. Filho de pai inglês e mãe alemã, nasceu em Niterói a 26 de dezembro de 1908. C. J. Dunlop ingressou na Light como advogado e ali começou a reunir material sobre a legislação social-trabalhista. Suas pesquisas resultaram no livro "Legislação brasileira do trabalho", e que teve três reedições (1934,1939 e 1943). Com o material encontrado nesses trabalhos, descortinou uma fonte inesgotável de dados sobre a história carioca e publicou, com reproduções de fotografias da época, os livros "Apontamentos para a história da iluminação da Cidade do Rio de Janeiro" (1949), "Apontamentos para a história da Estrada de Ferro do Corcovado" (1951), e "Apontamentos para a história dos bondes no Rio de Janeiro Vol. I e II: (1952/1953). Os dois últimos se transformaram na magnífica obra "Apontamentos para a história dos bondes no Rio de Janeiro", que merece uma reedição. Desde 1952, C. J. Dunlop vinha publicando, na revista "Singra", tablóide inserto no jornal "Correio da Manhã", crônicas semanais com fotografias antigas, dizendo que "hoje quase ninguém lê, principalmente assuntos históricos, e para atrair o leitor, coloquei a fotografia como Isca". Os artigos saíram ininterruptamente entre 1952 e 1955. Alguns deles foram mais tarde republicados nas revistas "A Turbina" e na "Revista G.E." , assim como novos artigos. Outras crônicas saíram no jornal "Tribuna da Imprensa" e na revista "Sul América". Muitos desses artigos deram origem a três livros publicados com o título de "Rio antigo", editados entre 1953 e 1960. Os artigos eram impressos sem a preocupação de levantar os fatos dentro de sua importância cronológica ou histórica, mas apenas com o intuito de falar da vida da cidade, seguindo uma ilustração, conforme informações do próprio autor. Em 1964, Dunlop estabeleceu sua própria editora, através da qual publicou o "Álbum do Rio antigo" um ano depois, utilizando fotos do Rio de Janeiro bem antigas. Em 1972, publicou "Os meios de transporte no Rio antigo", que teve uma segunda edição em 1973. Naquele ano, lançou, também, o livro "Crônicas, fatos, gentes e coisas da nossa História". Finalmente, em outubro de 1985, apareceu a sua última obra, "Petrópolis antigamente". Os livros e artigos de Charles Dunlop tiveram como marca a simplicidade, a concisão, a segurança e a tranqüilidade de quem sabe sobre o que está falando. Dunlop sabia tirar de montanhas de documentos oficiais as informações que constituiriam o essencial de sua narrativa, rica em comentários interessantes. Ele morreu dia 8. Dunlop também tinha humor. Sabia entremear fatos pitorescos aos dados sobre coches e carruagens, por exemplo. Ao descrever o "cab" inglês, veículo de duas rodas empregado no início do século XIX, no qual o cocheiro sentava-se na traseira, não deixou de dar a definição galhofeira do carioca de então. "É o carro em que o superior que vai no interior só vê a parte anterior do inferior que lhe vai superior". Em 1837 ou 1838, surgiam no Rio de Janeiro os primeiros ônibus, puxados por quatro muares. Eram compridos, pintados de vermelho ou amarelo, com dois bancos longitudinais, nos quais podiam se sentar entre 20 e 24 passageiros. Circulavam entre Botafogo, Laranjeiras, São Cristóvão, Tijuca, Rio Comprido e Engenho Velho, contribuindo de maneira decisiva para o crescimento e desenvolvimento da cidade. Segundo Machado de Assis, para um passageiro descer, o cobrador puxava uma cordinha que ia amarrada ao braço do cocheiro. Dunlop também nos explica a origem da palavra bonde, originada no inglês bond, o cupom utilizado para pagar a passagem. Contou como foram as primeiras tentativas para a instalação de um metrô no Rio, em 1911, os primórdios da navegação na Baía de Guanabara, os projetos de trens elevados, e os de ligação entre Rio e Niterói por túneis submarinos, subterrâneos e por meio de pontes, Dunlop também escreveu a história do plano inclinado de Santa Tereza, das estradas de ferro, do bondinho do Pão-de-Açúcar e da estrada de ferro do Corcovado. No capítulo referente aos primeiros automóveis e auto-ônibus, é delicioso ler as experiências dos primeiros "chauffeurs" que o Rio de Janeiro teve. José do Patrocínio, em 1895, assustou muares e transeuntes com sua barulhenta engenhoca movida a vapor, de origem francesa, o primeiro automóvel a chegar à cidade. Tinha fornalha, caldeira e chaminé, como uma verdadeira locomotiva. Imaginem sua desolação quando, certo dia, ensinando Olavo Bilac a dirigir, viu o poeta espatifar o veículo contra o tronco de uma árvore. Já Bilac passou a gabar-se de ser o precursor das trombadas no Brasil. Obituário por Gilson Koatz e Paulo Berger publicado no jornal O Globo de 27/7/1987}, <br />
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}</code></div>
</div>
<div class="nota">
<p class="titulo">Inepac &ndash; Guia de Bens Tombados</p>
<p><b>Nome:</b> Pedra da Moreninha</p>
<p><b>Descrição:</b> A Pedra da Moreninha é um monumento de romantismo. Nela se revive um pouco o romance A moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo, ambientado em Paquetá. Sobre ela foram derramadas as lágrimas de Ahy, a jovem Tamoia, criando a fonte em que Aoitin bebeu o seu amor moreno. A Pedra da Moreninha, mais que sua notável beleza como monumento natural, está incorporada pela imaginação humana à cultura do Rio de Janeiro.</p>
<p><b>Número do Processo:</b> E-18/300.030/84</p>
<p><b>Tombamento Provisório:</b> 19.06.1985</p>
<p><b>Localização:</b> Praia da Moreninha, Paquetá</p>
<p><b>Fonte:</b> <a href="http://www.inepac.rj.gov.br/modules.php?name=Guia&#038;file=consulta_detalhe_bem&#038;idbem=383" target="_blank">Inepac &#8211; Instituto Estadual do Patrimônio Cultural</a></p>
</div>
<p><iframe width="640" height="360" frameborder="0" scrolling="no" marginheight="0" marginwidth="0" src="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=http:%2F%2Frememorarte.blog.br%2Fkml%2Fpedra_moreninha.kml&amp;aq=&amp;sll=37.0625,-95.677068&amp;sspn=59.379225,135.263672&amp;t=h&amp;ie=UTF8&amp;ll=-22.754733,-43.112154&amp;spn=0.028494,0.054846&amp;z=14&amp;output=embed"></iframe><br /><small><a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=embed&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=http:%2F%2Frememorarte.blog.br%2Fkml%2Fpedra_moreninha.kml&amp;aq=&amp;sll=37.0625,-95.677068&amp;sspn=59.379225,135.263672&amp;t=h&amp;ie=UTF8&amp;ll=-22.754733,-43.112154&amp;spn=0.028494,0.054846&amp;z=14" style="color:#0000FF;text-align:left">Exibir mapa ampliado</a></small></p>
<p class="nota"><img src="wp-content/uploads/2011/06/bn_logo.jpg" alt="Biblioteca Nacional" title="Biblioteca Nacional" width="50" height="50" class="alignleft" /> Veja o livro na Biblioteca Nacional:<br /><a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon239797/icon239797_item1/index.html" target="_blank">Rio Antigo (vol. 1)</a></p>
<p style="margin-top: 18px;">

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		<title>A Exposição Nacional de 1908 (I), por Revista Kósmos</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2012 10:30:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atividade Econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia Cantareira]]></category>
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		<category><![CDATA[Escola Superior de Guerra]]></category>
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		<category><![CDATA[Praia Vermelha]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde a vasta e incomparável bacia amazônica até as verdejantes cochilas do Rio Grande do Sul, todos os Estados da Federação concorreram com os seus produtos próprios, qual mais perfeito e atraente, mostrando uma feição nova de nosso progresso aos povos concorrente à Exposição de São Luiz nos EUA.]]></description>
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<div id="attachment_8085" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AExposi%C3%A7%C3%A3o_Nacional_de_1908_-_Pavilh%C3%A3o_do_Estado_da_Bahia.jpg" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/projeto_pavilhao_estado_bahia_miniatura.jpg" alt="Projeto de Raphael Rebecchi do Pavilhão do Estado da Bahia" title="Projeto de Raphael Rebecchi do Pavilhão do Estado da Bahia" width="288" height="406" class="size-full wp-image-8085" /></a><p class="wp-caption-text">Projeto de Raphael Rebecchi do<br />Pavilhão do Estado da Bahia</p></div>
<p>Por ocasião do grandioso certame norte-americano, comemorativo da incorporação dos vastos e fecundos territórios da Luisiana à grande União, ante os olhares maravilhados dos curiosos, idos de todas as partes do Mundo, desenharam-se as nossas forças econômicas, dignas de ombrear com as dos velhos povos dos outros continentes, manifestando-se perfeitas em nossos artefatos industriais, enormes na expansão de nossa agricultura, maravilhosas nos produtos de nossa natureza, de sorte a colocar o Brasil em tal situação de avantajamento, que na gigantesca feira bem se pode afirmar &mdash; fomos nós os vencedores. Desde a vasta e incomparável bacia amazônica até as verdejantes cochilas do Rio Grande do Sul, todos os Estados da Federação concorreram com os seus produtos próprios, qual mais perfeito e atraente, mostrando uma feição nova de nosso progresso aos povos concorrente à Exposição de São Luiz. E com justo e legítimo orgulho recebemos a inumerável série de prêmios, destinados a recompensa e estímulo do nosso trabalho, do nosso progresso, da nossa fecunda atividade.<span id="more-8072"></span></p>
<p>Mas se maravilha foi para o estrangeiro esse atestado pujante de nossa vitalidade, força é confessarmos que talvez fossemos nós mesmos os mais maravilhados.</p>
<p>É que nós vivemos nos desconhecendo. Mais nos interessa quase sempre o que vai por além mar do que o acontecido dentro das raias do nosso vastíssimo território.</p>
<p>Os Estados se ignoram e muita vez o mesmo se dá com os municípios vizinhos de um mesmo Estado.</p>
<p>Com extrema admiração chega-nos ao conhecimento que o objeto adquirido pelo mimoso da manufatura, pelo acabamento do todo em luxuosos magazines de modas, não é produto das afamadas fábricas d&rsquo;além mar e sim das mais modestas de um Estado qualquer. Porque na indústria nós só compreendíamos que o Brasil fizesse além das moringas da Bahia, das redes do Maranhão, do algodãozinho mineiro e dos rebenques de couro trançado do Rio Grande, mais uns curiosos berloques que uma hora arrancada à ociosidade malandra dos praieiros arabescava em cascas de coco que a natureza fornece em profusão pelos extensos areais do Norte.</p>
<div id="attachment_8079" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AExposi%C3%A7%C3%A3o_Nacional_de_1908_-_Constru%C3%A7%C3%A3o_do_Cais_da_Urca.jpg" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/cais_urca_construcao_miniatura.jpg" alt="Exposição Nacional de 1908 - Construção do Cais da Urca" title="Exposição Nacional de 1908 - Construção do Cais da Urca" width="288" height="369" class="size-full wp-image-8079" /></a><p class="wp-caption-text">Exposição Nacional de 1908<br />Construção do Cais da Urca</p></div>
<p>A Exposição de São Luiz veio perturbar-nos essa doce ilusão, revelando-nos os progressos da indústria nacional de que só falávamos com sorrisinhos de mofa e entretanto o Júri internacional galardoava admirado do nosso adiantamento. </p>
<p>Daí em diante e mercê desse movimento de progresso que fez com que em um lustro se tornasse o Brasil mais conhecido do que nos quatro séculos que tem de existência e à força de ouvirmos louvores sobre esse progresso por nós desconhecido em seus múltiplos detalhes a ideia do governo atual de reunir a produção de todos os Estados em um grandioso certame que se abrirá em Junho próximo, de modo a atestar com brilho a verdade dos conceitos sobre nós emitidos em um concerto de louvores que nos anima e nos fortalece como nos enche de suave alegria patriótica. </p>
<p>Votada pelo Congresso Nacional a necessária autorização na Lei do Orçamento, em 4 de Julho de 1907 e pelo Decreto n. 6544, o Dr. Affonso Penna, presidente da República, aprovou as bases organizadas pelo Ministro da Indústria Viação e Obras Públicas Dr. Miguel Calmon du Pin e Almeida.</p>
<p>Em 10 de Outubro foi nomeada a Comissão Superior composta de 41 membros sob a presidência do Dr. Antônio Olyntho dos Santos Pires, ex-ministro da Viação, provecto lente da Escola de Minas de Ouro Preto e nosso delegado em São Luiz.</p>
<p>Três vice-presidentes, os Drs. Luiz Raphael Vieira Souto, Arthur Getúlio das Neves e Antônio de Pádua Assis Rezende, o primeiro substituído pelo general Gregório Thaumaturgo de Azevedo e um secretário geral o Dr. Cândido Mendes de Almeida constituem com o Presidente o Diretório Executivo da Exposição:</p>
<blockquote>
<p>Constará ela de 4 Seções:<i><br />Agricultura;<br />Indústria Pastoril;<br />Várias Indústrias, e<br />Artes Liberais.</i></p>
</blockquote>
<p>Para promover o comparecimento de todos os Estados ao Certame vários delegados percorrem o país inteiro em propaganda, facilitando o trabalho dos governos estaduais. </p>
<p>Por conta do governo correrão as despesas com o transporte de todos os objetos destinados à Exposição.</p>
<p>O local escolhido foi a grande esplanada da Praia Vermelha onde há bem pouco tempo se erguiam os edifícios da Escola Superior de Guerra.</p>
<p>Confiados os trabalhos de construção à competência e atividade do Dr. José Mattoso Sampaio Correia, diretor das Obras Públicas, quem hoje se dirigir àquele local certamente não deixará de se admirar das transformações por ele sofridas.</p>
<p>Os velhos pavilhões da Escola tombaram, no mesmo local se erguendo outras construções destinadas a abrigarem os objetos expostos.</p>
<div id="attachment_8074" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AExposi%C3%A7%C3%A3o_Nacional_de_1908_-_Pavilh%C3%A3o_do_Estado_de_Minas_Gerais.jpg" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/pavilhao_minas_gerais_miniatura.jpg" alt="Projeto de Raphael Rebecchi do Pavilhão do Estado de Minas Gerais" title="Projeto de Raphael Rebecchi do Pavilhão do Estado de Minas Gerais" width="288" height="384" class="size-full wp-image-8074" /></a><p class="wp-caption-text">Projeto de Raphael Rebecchi do<br />Pavilhão do Estado de Minas Gerais</p></div>
<p>Dos Estados da federação somente Minas, São Paulo e Bahia estão construindo pavilhões independentes e fá-los-ão ainda o Paraná e Santa Catharina.</p>
<p>A Prefeitura do Distrito Federal terá também pavilhão à parte. </p>
<p>Das Repartições Públicas terá um pavilhão isolado a Repartição Geral dos Telégrafos.</p>
<p>A Sociedade Nacional de Agricultura construirá também um pavilhão e bem assim a Companhia Progresso Industrial do Bangu.</p>
<p>Ainda concorrerão em pavilhões independentes a casa Herm. Stoltz com uma exposição de maquinismos para a Lavoura e a Cervejaria do Estado do Pará.</p>
<p>Portugal, única nação estrangeira a qual foi dada a concessão de concorrer a Exposição, já tem em obras o seu pavilhão, de estilo manuelino.</p>
<p>A Exposição abrir-se-á em 15 de Junho e encerrar-se-á em 7 de Setembro, funcionando diariamente das duas horas da tarde até às oito quando se fecharão os pavilhões, continuando entretanto a funcionar as diversões até meia noite.</p>
<p>No recinto da Exposição funcionarão um teatro, um café concerto, vários cinematógrafos. Haverá ainda outras diversões variadas, montanhas russas, balões cativos, etc.</p>
<p>Funcionarão restaurantes e bar no grande terraço com vista para o mar.</p>
<p>O custo dos bilhetes de entrada variará conforme os dias de 500 rs. a 2$000.</p>
<p>O transporte será dado pelos bondes da Companhia Jardim Botânico que prolongará os seus trilhos até o grande portão da Exposição e pela Companhia Cantareira cujas barcas atracarão em ponte para esse fim especialmente construída.</p>
<p>Um dos mais curiosos atrativos da Exposição será certamente a Seção Pastoril, o pavilhão construído para o gado contendo 300 cocheiras diversas.</p>
<p>Dois pavilhões são destinados às máquinas. Kósmos que acompanhará em todos seus números o movimento da Exposição, começa hoje a publicar fotografias das obras, tomadas em diversas fases da construção, de modo a dar a impressão perfeita do que vai ser o grandioso certame.</p>
<p><b>Fonte:</b></p>
<ul>
<li>Revista Kósmos, Ano 5, Número 3, Março de 1908.</li>
</ul>
<p><iframe width="640" height="360" frameborder="0" scrolling="no" marginheight="0" marginwidth="0" src="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=http:%2F%2Frememorarte.blog.br%2Fkml%2Fmonumento_laguna_dourados_rio.kml&amp;sll=37.0625,-95.677068&amp;sspn=54.884801,114.169922&amp;ie=UTF8&amp;t=h&amp;ll=-22.954955,-43.165841&amp;spn=0.003527,0.006856&amp;z=17&amp;output=embed"></iframe><br /><small><a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=embed&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=http:%2F%2Frememorarte.blog.br%2Fkml%2Fmonumento_laguna_dourados_rio.kml&amp;sll=37.0625,-95.677068&amp;sspn=54.884801,114.169922&amp;ie=UTF8&amp;t=h&amp;ll=-22.954955,-43.165841&amp;spn=0.003527,0.006856&amp;z=17" style="color:#0000FF;text-align:left">Exibir mapa ampliado</a></small></p>
<p class="nota"><img class="alignleft" src="wp-content/uploads/2010/06/adobe_reader_mnemonic_50x50.jpg"> Veja ou  baixe o livro original em pdf:<br /><a href="download/kosmos_exposicao_nacional_1908_i.pdf" target="_blank">Exposição Nacional de 1908 (I), por Revista Kósmos</a></p>
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		<title>Quinta-feira Santa, por Dom Marcos Barbosa</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 20:53:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quaresma]]></category>
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		<category><![CDATA[Semana Santa]]></category>

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<div id="attachment_8063" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://digitalgallery.nypl.org/nypldigital/id?426729" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/nypl_cristo_traido_por_judas_miniatura.jpg" alt="NYPL - Livro das Horas - Cristo traído por Judas" title="NYPL - Livro das Horas - Cristo traído por Judas" width="288" height="467" class="size-full wp-image-8063" /></a><p class="wp-caption-text">NYPL - Livro das Horas<br />Cristo traído por Judas</p></div>
<p>Aproxima-se caro ouvinte, a Quinta-feira Santa. Com ela se inicia o Tríduo Sacro, que é o ponto mais alto do ano litúrgico, pois comemoramos então a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. E é bom notarmos logo de início que só impropriamente falamos de Quinta-feira, pois se a Quinta-feira entrasse como tal no Tríduo Sacro, já teríamos quatro e não três dias. Acontece que para os judeus (e em geral os orientais) o tempo era marcado pela lua e não pelo sol, assim, o entardecer da Quinta-feira era já como o princípio da Sexta-feira, e foi justamente nesta hora, antes de se dirigir para o Jardim das Oliveiras, que Jesus realizou com os apóstolos a última ceia, &mdash; a última ceia pascal que celebraria aqui na terra, e que se tornou a primeira missa. Assim podemos dizer que a instituição da Eucaristia e o Sacrifício da Cruz, que ela prefigurava, se realizaram no mesmo dia, no mesmo espaço de 24 horas. Pois Jesus morre às três da tarde (a hora nona dos judeus) e é sepultado às pressas, pois o pôr-do-sol da Sexta-feira já seria o começo do Sábado, o dia do repouso, na qual nada se podia fazer e no qual Jesus repousara no túmulo para ressuscitar no primeiro dia da semana, que passou a ser conhecido como o seu dia. O Domingo, o Dia do Senhor, que é o Dominus.<span id="more-8059"></span></p>
<p>É portanto na passagem da Quinta para a Sexta-feira que Jesus se apresenta como o Sacerdote que institui a entrega aos seus sacramentos. O que vemos claramente em relação à Eucaristia ou, como se diria depois, o Santo Sacrifício da Missa, &mdash; expressão também muito bela porque relembra o nexo entre a Eucaristia (Ação de Graças) e a Cruz, &mdash; como a expressão missa sugere a missão da qual somos investidos pela Eucaristia, &mdash; de levarmos o Cristo ao mundo.</p>
<p>Notemos que Jesus instituiu a Eucaristia durante uma ceia que já era, em si, um ato religioso do Antigo Testamento; a comemoração anual da Páscoa, da libertação do cativeiro do Egito e da Passagem (Páscoa) para a Terra Prometida. Não se tratou de uma ceia de improviso, celebrada de qualquer modo: o Evangelho nos conta como Jesus manda os apóstolos com antecedência em busca de um lugar onde encontrarão uma sala preparada, a sala que mais tarde conheceríamos pelo nome de Cenáculo, a sala da Ceia, da última ceia. Por isso vemos como andam errados os que pretendem celebrar a missa em qualquer lugar e de qualquer modo, como se fosse uma refeição qualquer, quando ela foi instituída no quadro religioso da ceia pascal dos judeus, que a prefigurava e preparava. E vemos que o apóstolo Paulo mais tarde, vendo os abusos que ocorriam ao celebrar-se a missa no decorrer de uma refeição comum onde havia excessos e desigualdades, prescreveu aos fiéis de Corinto celebrarem a Eucaristia e o banquete eucarístico em separado.</p>
<p>Assim na Quinta-feira Santa, ou melhor no início da Sexta-feira Santa, nasce a missa, A EUCARISTIA, antes mesmo que Jesus houvesse oferecido na cruz o sacrifício, por ela representado, sob os símbolos do pão e do vinho que se transformam misteriosamente em Corpo e Sangue de Cristo. Após ter comemorado a Páscoa antiga, cujo cordeiro sem mancha tão bem o simbolizava, a ele, que veio tirar o pecado do mundo, Jesus nos dá a si próprio, morto e vivo, sob os véus do sacramento. Mas para que esse prodígio pudesse perpetuar-se entre nós e renovar-se em cada missa, Jesus instituiu, logo em seguida à Eucaristia, um outro sacramento, a que chamamos o Sacramento da Ordem, quando deu aos apóstolos a ordem de repetirem o mesmo que ele fizera, &ldquo;Fazei isto em memória de mim&rdquo;, tornando-os assim, sacerdotes, &mdash; não novos sacerdotes &mdash; pois ele é o único &mdash; mas capazes de agirem em seu nome, com o mesmo poder e eficácia. Eis, pois os sacramentos da Eucaristia e da Ordem nascendo juntos, como dois irmãos gêmeos, na última ceia.</p>
<p>Mas, na última ceia não deixamos de encontrar também uma alusão aos sacramentos do Batismo e da Penitência ou Reconciliação. Pois Jesus antes de instituir a Eucaristia realiza, como até hoje o celebrante em nossas Missas da Quinta-feira Santa, a bela cerimônia do lava-pés. Era costume no oriente que um servo lavasse os pés dos que chegavam para um banquete, talvez recobertos ainda com a poeira das estradas. Como ali não havia um servo para isto, os discípulos puseram-se logo à mesa&hellip; Jesus, Mestre e Senhor toma a bacia e o jarro. Pedro protesta: &ldquo;Jamais me lavarás os pés!&rdquo; Jesus replica: &ldquo;Se eu não te lavar, não terás parte comigo!&rdquo; Como não vermos nisto, caro ouvinte, um símbolo dos sacramentos de purificação, que são o Batismo e a Penitência ou Reconciliação?</p>
<p>E não haverá também, nesta bela celebração da Quinta-feira Santa, ou melhor, do início da Sexta-feira Santa, uma sugestão do matrimônio? Sem dúvida, se lembrarmos que Jesus deu então aos seus apóstolos o mandamento do Amor e estabeleceu com o seu novo povo, a Igreja que então nascia, uma nova e eterna aliança. E São Paulo dirá que o matrimônio é um grande sacramento por sua relação com Cristo e a Igreja, &mdash; pois o marido se torna o símbolo do Cristo e a mulher da Igreja, recebendo ambos a força de se amarem como o Cristo e a Igreja se amam.</p>
<p>E nem falta a esse conjunto uma relação com os enfermos, pois o Cristo consentirá, dentro em pouco, no horto, em aceitar os mais dolorosos sofrimentos, sentirá o medo da morte, e dirá: &ldquo;Se possível, Pai, afasta de mim esse cálice &mdash; mas faça-se a tua vontade e não a minha&rdquo;.</p>
<div id="attachment_7950" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://www.panoramio.com/photo/67931578" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2010/11/msb_capela_ss_miniatura.jpg" alt="Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro - Capela do Santíssimo Sacramento" title="Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro - Capela do Santíssimo Sacramento" width="288" height="192" class="size-full wp-image-7950" /></a><p class="wp-caption-text">Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro<br />Capela do Santíssimo Sacramento</p></div>
<p>Com o tempo novas cerimônias se juntaram à celebração da instituição da Eucaristia, cerimônias, estas sim realizadas, antes do Tríduo Sacro, pois têm lugar na manhã da Quinta-feira Santa. Cerimônias que nos mostram melhor o nascimento comum dos vários sacramentos, &mdash; e que são a benção dos santos óleos e, mais frequentemente, a da renovação das promessas sacerdotais, introduzidas por Paulo VI. Esta liturgia porém só se realiza nas catedrais, pois só o bispo é que consagra normalmente os santos óleos para a sua diocese, como só ele recebe a renovação das promessas dos sacerdotes que trabalham com ele nas várias matrizes e capelas. Assim, antes da missa solene de cada Igreja, realizada ao anoitecer (e na qual todos os sacerdotes celebram, pois não pode haver mais de uma missa nesse dia em cada Igreja, para mostrar a união de todos), &mdash; realiza-se nas catedrais, pela manhã, a chamada missa crismal.</p>
<p>Nesta missa, pela manhã, o Bispo, se possível com a participação de todos os sacerdotes que lhe estão subordinados, consagra os santos óleos, a saber: o dos catecúmenos, o dos enfermos e, de grande importância da Crisma, que será usado na Confirmação dos que foram batizados, dando-Ihes a força do Espírito Santo. Estes óleos são levados em seguida para as várias paróquias, marcando assim a presença do Bispo, quando se realiza as unções do batismo, a dos enfermos e dos que se tornam, com a confirmação, cristãos adultos, soldados de Cristo, membros ativos do Corpo Místico.</p>
<p>Quanto à renovação das promessas sacerdotais, instituídas por Paulo VI, não significa que aqueles que não as façam já não estejam obrigados a cumprir os seus compromissos, pois já o prometeram para sempre ao serem ordenados, &mdash; mas não apenas um ato de afervoramento &mdash; como acontece também com os cristãos que renovam na vigília da Páscoa as promessas do Batismo ou os religiosos que, embora tendo feito profissão perpétua ou solene, gostam também de renovar os votos de cada ano, em geral após um retiro.</p>
<p>Vemos, pois, caro ouvinte, quão rica é a liturgia que celebramos ao entardecer da Quinta-feira Santa, já antecipada por essa missa do bispo na parte da manhã. Assim o Cristo nos aparece, no início do Tríduo Sacro, na sua glória de sacerdote, antes de nos aparecer, na Sexta-feira Santa na sua humildade de vítima e sacrifício, como cordeiro imolado, como um verme e não um homem, na linguagem pungente dos profetas.</p>
<p><b>Fonte:</b>
<div class="camada1">
<p class="bibliografia"><span style='font-size: smaller; font-style: italic;'>[dmb2011]</span>    O. Dom Marcos Barbosa, <em>Reflexões sobre a Quaresma</em>, Christi, E. L., Ed., , 2011.</p>
<div class="livro"><code>@book{dmb2011, added-at = {2012-03-08T12:17:10.000+0100}, <br />
 &nbsp; author = {Dom Marcos Barbosa, OSB}, <br />
 &nbsp; biburl = {http://www.bibsonomy.org/bibtex/2779878278dbe0e2e38ceb2f3e36bc950/halleypo}, <br />
 &nbsp; description = {Os textos deste fascículo, foram originalmente palestras radiofônicas proferidas em anos diversos, por Dom Marcos Barbosa, OSB, em seu programa "Encontro Marcado".}, <br />
 &nbsp; editor = {Christi, Edições Lumen}, <br />
 &nbsp; interhash = {48457c63b36486ab8b8273d91d08d60f}, <br />
 &nbsp; intrahash = {779878278dbe0e2e38ceb2f3e36bc950}, <br />
 &nbsp; keywords = {quaresma reflexões religiao}, <br />
 &nbsp; pages = 52, timestamp = {2012-03-08T12:17:10.000+0100}, <br />
 &nbsp; title = {Reflexões sobre a Quaresma}, <br />
 &nbsp; year = 2011</code></div>
</div>
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		<title>Exposição Nacional de 1908 (II), por Revista Kósmos</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Apr 2012 22:09:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Halley e Ana Cristina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atividade Econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[Baía da Guanabara]]></category>
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		<category><![CDATA[Morro da Babilônia]]></category>
		<category><![CDATA[Praia da Saudade]]></category>
		<category><![CDATA[Praia de Botafogo]]></category>
		<category><![CDATA[Praia Vermelha]]></category>

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		<description><![CDATA[A grandiosa feira nacional, que o governo do Presidente Affonso Penna organizou, sob o louvável pretexto de comemorar o centenário da abertura dos portos do Brasil ao comércio mundial, como um balanço da capacidade industrial, comercial e artística do país, foi entregue à visita pública em 11 de Agosto de 1908.]]></description>
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<div id="attachment_8043" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AExposi%C3%A7%C3%A3o_Nacional_de_1908_-_Pavilh%C3%A3o_do_Estado_de_S%C3%A3o_Paulo.jpg" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/exposicao_nacional_1908_sao_paulo_miniatura.jpg" alt="Exposição Nacional de 1908 - Pavilhão do Estado de São Paulo" title="Exposição Nacional de 1908 - Pavilhão do Estado de São Paulo" width="288" height="225" class="size-full wp-image-8043" /></a><p class="wp-caption-text">Exposição Nacional de 1908<br />Pavilhão do Estado de São Paulo</p></div>
<p>A GRANDIOSA feira nacional, que o governo do Presidente Affonso Penna organizou, sob o louvável pretexto de comemorar o centenário da abertura dos portos do Brasil ao comércio mundial, como um balanço da capacidade industrial, comercial e artística do país, foi entregue à visita pública em 11 de Agosto de 1908 na faixa de terra que liga o morro alcantilado da Babilônia com o alto bojo alamborado da Urca, e se limita, por banda do Atlântico, na breve curva da Praia Vermelha e, pelo interior, nas areias claras da Praia da Saudade, último recosto das águas da Guanabara no golfo de Botafogo.</p>
<p>Indicada a escolha do local tanto pelo pitoresco da circunvizinhança, que é, incontestavelmente, dos mais impressionantes, já pela soberbia dos pedregosos montes que o enfeixam, já pelo escampado da área cuja planície se prestava à especialidade de construções provisórias e variadas, quanto pelas tradições que ali se apegaram, porque foi naquele ponto que desembarcou a companha guerreira dos Sás, os fundadores da cidade do Rio de Janeiro conquistado aos franceses de Villegagnon e aos tamoios adversos, essa grande obra de prova civilizadora, ideada, planejada e levada a efeito pela força de vontade do ministro da Indústria e Viação, o Dr. Miguel Calmon, secundado pelo diretório executivo &mdash; Drs. Antônio Olinto, ex-ministro da Indústria e Viação, lente da Escola de Minas e chefe dos serviços contra a seca do Norte, Thaumaturgo de Azevedo, Pádua Rezende, Getúlio das Neves e Cândido Mendes de Almeida &mdash; teve no Dr. Sampaio Correia, o seu diretor supremo na parte material, o mais extraordinário executor, tal a rapidez, a relativa perfeição, o entusiasmo trabalhador, de noites e dias sem descanso, com que foi realizada!<span id="more-8041"></span></p>
<p>Parece-nos, ainda, um sonho, esse inesperado aparecimento da pequenina cidade de palacetes nos areais da Urca. Parece-nos um sonho esse levantamento de pavilhões brancos, facetados e rendilhados pela decorativa arquitetônica, que são pequenos palácios ebúrneos na perlada diafaneidade duma visão, e ali se firmaram alegre e triunfalmente sob o azul intenso do céu, diante do glauco suave das águas, em contraste com o roxo carregado dos montes, o verde-escuro dos matos, e quase sempre iluminados, num fundo de apoteose, pela limalha d&rsquo;oiro do sol!</p>
<p>O sonho, porém, transmudou-se em realidade. Lá está a Exposição Nacional de 1908, no assombroso cenário das montanhas, a atrair a curiosidade de todo o mundo que a vê, à distância, como um encantado panorama das <i>Mil e uma noites</i>, o reino maravilhoso dum maravilhoso reizinho rosado e louro como um pajem dos romances medievos.</p>
<p>E não se cansam os olhos de admirarem-na!</p>
<p>Vê-la, seja da confluência das ruas que alcançam a linda avenida em curva da enseada de Botafogo, seja da altura de mirantes ou de pontos altaneiros de adjacências monticuladas, é sempre um gozo, porque há nela a esbelteza linear de um conjunto de arquitetura raramente conseguido, o tom macio dos visionamentos suaves entre brumas levemente distendidas, o ineditismo de uma nova, minúscula cidade a continuar o aglomero quase interminável da cidade percorrida; e essa que, de improviso, se nos antolha, assim levantada além d&rsquo;águas de um golfo formosíssimo, assim no extremo curvilíneo duma avenida arrebatadora, longe, a se debuxar apenas, desperta-nos o assombro, e nos faz sonhar. Que país de maravilhas é este?&hellip; Que capricho teve o Criador em fazê-lo?&hellip; E a cidadezinha branca, rendilhada e facetada, nos fascina. Ansiamos por vencer a distância que nos separa dela. Corre a carruagem ao trote largo das parelhas, voa o auto fonfonando, roda vertiginosamente o carro elétrico nos trilhos, o espaço é devorado, a extensão diminui, mas a ânsia acelera-nos as artérias, entontece-nos o coração&hellip; Queremos vê-la, queremos admirá-la. Até julgamos nunca mais alcançá-la tal o desejo fervoroso de a penetrar&hellip;</p>
<p>A curiosidade que nos assalta, nessa atração irreprimível, bem prova a admirável obra que o governo do presidente Affonso Penna, conseguiu realizar.</p>
<p>E se a tenaz vontade do ilustre Dr. Miguel Calmon resolveu o problema de público inventário do adiantamento do país, com os documentos convincentes da sua capacidade de força produtora nas indústrias, no comércio, nas artes; se a superior competência do Dr. Antônio Olinto já comprovada em tantos serviços ao país, na direção geral do certâmen demonstrou as suas exímias qualidades de administrador ao qual cabe não pequena messe de glórias, não menos glorioso foi o esforço do Dr. Sampaio Correia em conter a quantiosa manifestação dessas atividades num espaço e local em que tudo se acondicionasse convenientemente, e se tornasse digno do fito com que o governo organizava essa Exposição. Ao pensamento dos administradores era preciso corresponder o apuro da execução. Felizmente e, digamos, ainda louvavelmente, o ilustre secretário dos negócios da Indústria e Viação soube escolher o seu excelente auxiliar.</p>
<p>O jovem e habilíssimo engenheiro, a quem foi entregue a execução do plano, tinha a seu favor o entusiasmo e atividade da idade, a competência profissional, a experiência administrativa.</p>
<p>Acercou-se de ajudantes confiáveis, indo buscá-los na mocidade que as Escolas Superiores preparam de há dez anos a esta parte, Lossio, Dobadella, Costa Rodrigues, Ávila, Dodsworth; reuniu em torno de si esse grupo de moços competentes, chamou para auxiliá-los o provado talento do arquiteto René Barba, entregou a parte decorativa de escultura e pintura a Nicolina Vaz, Gastão Alves, Amoedo, Hélios Seelinger, Fiúza Guimarães, Arnaldo de Carvalho, Calixto, Amaro, Crispim do Amaral, Mário Costa, Macedo, Timóteo; e no curto espaço de meses a <i>Exposição Nacional de 1908</i> surgia como uma cidade de encantamento, levantando para o azul as agulhas dos seus torreões e os <a class="jTip" href="ajax/zimborio.html?width=300" id="id-1663999573" name="Zimbório">zimbório</a>s dos seus centros.</p>
<p>Ninguém contava com esse resultado. Aos menos pessimistas ele se afigurara um esforço <i>manque</i>, uma obra apressada e imperfeitíssima.</p>
<p>E, no entanto, em 11 de Agosto ela ali estava confirmando o valor da engenharia brasileira representada na sua mocidade. Porque, deve-se dizer e com orgulho, a maioria dos homens que trabalharam nessa obra, quer engenheiros, quer arquitetos e artistas, era composta de moços.</p>
<div id="attachment_8047" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AExposi%C3%A7%C3%A3o_Nacional_de_1908_-_Pal%C3%A1cio_dos_Estados_-_Revista_Kosmos.jpg" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/exposicao_nacional_1908_palacio_estados_miniatura.jpg" alt="Exposição Nacional de 1908 - Palácio dos Estados" title="Exposição Nacional de 1908 - Palácio dos Estados" width="288" height="225" class="size-full wp-image-8047" /></a><p class="wp-caption-text">Exposição Nacional de 1908<br />Palácio dos Estados</p></div>
<p>Não fizeram trabalhos provisórios, como soem ser os dessa natureza, construções aligeiradas, facilmente desmontáveis. O Palácio dos Estados, vasto edifício apenas começado há mais de vinte anos e então destinado à Escola Superior de Guerra, foi concluído sob o plano primitivo, com pequenas modificações; o enorme e velho edifício da extinta Escola Militar foi demolido e sobre os seus alicerces, com aproveitamento de poucas paredes do pavimento térreo, erigiram a fachada vistosa do Palácio das Indústrias, em cujo corpo central cascateia sobre cinco bacias sucedâneas a queda d&rsquo;água da cúpula, o <i>chateau d&rsquo;eaux</i>; numa ala dessa arruinada Escola, que a picareta demoliu até suas bases, levantaram o garboso pavilhão manuelino oferecido às indústrias portuguesas; ergueram o teatro, os pavilhões de máquinas, de artes liberais; da pesada muralha da cidadela, que fechava os fundos da Escola Militar pelo lado do Atlântico, fizeram um lindo terraço, largo e calçado, do qual se desfruta um dos mais encantadores &ldquo;pontos de vista&rdquo; que olhos humanos têm a ventura de contemplar; em os extremos abandonados dessa muralha foram levantados dois restaurantes de feitio e aspecto diferentes, mas de sólida construção. Toda a extensa área que fica entre a Praia da Saudade e a Praia Vermelha, da Babilônia à Urca, foi demarcada, aplainada, macadamizada, dividida em avenidas, praças e ruas com os respectivos ajardinamentos; a cada pavilhão deram o seu lugar, e a imensa área recebeu, em todos os seus detalhes, os cuidados da jardinagem ou a modificação necessária ao bom êxito do conjunto. A Praia da Saudade teve um grande cais em frente às suas areias, de maneira a formar uma bacia em que ancoram pequenas embarcações e uma porta monumental, eminentemente decorativa, ergue-se ao fim da avenida que a Prefeitura construiu no tortuoso caminho que ligava as duas praias, as da Saudade e Botafogo.</p>
<p>É, atendida a exiguidade do tempo, a multiplicidade de serviços a desempenhar, uma obra colossal, exaustiva; mas, vencida pelo esforço extraordinário da sua comissão executora, constitui para ela uma glória inolvidável.</p>
<p>Não se pode nem se deve negar que em seu apoio concorreram a boa vontade e o sentimento patriótico de alguns Estados. O de São Paulo, o de Minas Gerais, o da Bahia, o de Santa Catarina, cada qual na proporção dos seus meios, deram a esse grandioso certâmen o brilho necessário à sua fulguração. Os três primeiros excederam à expectativa pela beleza e riqueza de seus pavilhões, sendo o de São Paulo da autoria do notável arquiteto Ramos de Azevedo, e os dois últimos do ilustre Rebecchi.</p>
<p>Santa Catarina, que é dos Estados do Sul, um dos que maior futuro promete, não pôde ombrear-se com os dois poderosos Estados cafeeiros, mas, na sua simpática modéstia, apresenta um gracioso, pequeno, e leve pavilhão todo feito de suas preciosas madeiras.</p>
<p>O Distrito Federal concorreu também com um pavilhão de vastas proporções e de grande efeito arquitetônico, e uma elegante construção em madeira envernizada, que avulta dentre a riqueza dos edifícios pela esbelteza e simplicidade de suas linhas, destinada à Exposição da Inspetoria de Matas marítimas, jardim, pesca e caça, autoria do desenhista Archimedes Silva por encomenda do inspetor daquela repartição, o Dr. Júlio Furtado.</p>
<div id="attachment_8045" class="wp-caption alignright" style="width: 298px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AExposi%C3%A7%C3%A3o_Nacional_de_1908_-_F%C3%A1brica_Bangu.JPG" target="_blank"><img src="wp-content/uploads/2012/04/exposical_nacional_1908_fabrica_bangu_miniatura.jpg" alt="Pavilhão da Fábrica de Tecidos Companhia Progresso Industrial do Brasil estabelecida no Bangu." title="Pavilhão da Fábrica de Tecidos Companhia Progresso Industrial do Brasil estabelecida no Bangu." width="288" height="369" class="size-full wp-image-8045" /></a><p class="wp-caption-text">Pavilhão da Fábrica de Tecidos<br />Companhia Progresso Industrial do Brasil<br />estabelecida no Bangu.</p></div>
<p>A Sociedade Nacional de Agricultura, a repartição dos Correios e Telégrafos, o governo português, o corpo de bombeiros, a fábrica de tecidos do Bangu, fizeram construir pavilhões seus, que colaboram grandemente no aformoseamento dessa Exposição, que é a mais suntuosa de quantas têm sido organizadas na América do Sul.</p>
<p>Mas, a valiosa concorrência dos Estados e de outros expositores, que ali ergueram pavilhões, não desmerece de modo algum o arrojo, a persistência, o inesperado resultado desse imenso trabalho da comissão executora.</p>
<p>Ele ali está na grandiosidade, beleza e segurança das suas construções, na vastidão impressionante e atraente do seu conjunto, no cuidado de suas meticulosidades, como prova irrefutável do seu inaudito esforço, da sua desmedida e firme dedicação, do elevado grau da sua competência profissional. É uma glória.</p>
<p>E ver essa cidade branca, facetada e rendilhada, brilhando ao sol, sob o azul do céu, em frente ao glauco dos mares, como um panorama imaginário, criado pelos sonhos de um grego rebelde à severidade geométrica das linhas; ou vê-la, à noite, ardendo à luz de milhares de lâmpadas elétricas, crivada de focos luminosos e multicores, com o seu pórtico em fogo, num deslumbramento apoteótico, a lembrar fantasias do Oriente escoadas na ardente imaginação da infância, é compreender o trabalho vitorioso dos que a idearam, planejaram e realizaram num rápido espaço de tempo, o bastante para serem esboçados os delineamentos de um projeto, nunca a obra definitiva, assente, completa, de uma vontade triunfadora!</p>
<p>E por maior que seja a glória conquistada pela nossa aptidão para o trabalho, por mais relevância que consigam as indústrias fabris e extrativas, as confecções da pequena indústria, o trabalho das lavouras, os resultados inteligentemente guiadas da agricultura pastoril, o tino e saber das administrações privadas, a excelência das artes liberais, a magnificência das belas artes, a realização desse grande certâmen nacional avultará não só como um patriótico e nobre, pensamento do governo Affonso Penna, mas também como a afirmação positiva do quanto são capazes a inteligência, o saber, e a ação utilizável do Brasil mental, representados nos executores de tão vasto quanto arrojado empreendimento.</p>
<p><b>Fonte:</b></p>
<ul>
<li>Revista Kósmos, Ano V, Número 7, Julho de 1908.</li>
</ul>
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<p class="nota"><img class="alignleft" src="wp-content/uploads/2010/06/adobe_reader_mnemonic_50x50.jpg"> Veja ou  baixe o livro original em pdf:<br /><a href="download/kosmos_exposicao_nacional_1908_ii.pdf" target="_blank">Exposição Nacional de 1908 (II), por Revista Kósmos</a></p>
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